Quando a alma sai da carne, em desespero, pede para voltar. Prenda-me!
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Thursday, March 23, 2017
Monday, February 22, 2016
Sunday, May 31, 2015
Wednesday, April 29, 2015
Monday, May 12, 2014
Monday, January 27, 2014
Espírito Santo
Tirei o véu de viúva. Enfim, a luz. Em breve, irei enxergar sem esforço. Por enquanto, vontade danada de usar óculos escuros diante de tanta claridade, mas seria apenas outra muleta.
Monday, December 16, 2013
Livre
O monopólio dos meus ancestrais foi quebrado e o meu dos outros herdado passado não me condena mais. Missão cumprida. Édipo, tchau! Electra, tchau! Valeu, galera. Agora é voltar lentamente para a superfície. Oxalá sem muitos sobressaltos. Vida minha. Minha.
Thursday, December 12, 2013
Saturday, December 07, 2013
A outra face de Deus
Quando encontrei com o diabo, não o esperava. Estava 100% despreparada. Felizmente. Porque assim não deu tempo de elaborar nenhum plano de fuga, nenhuma estratégia de combate ou para correr na cozinha e pegar a frigideira. Quando ele entrou no meu quarto, fiquei tão surpresa que a única coisa que me ocorreu foi olhar nos olhos dele. Ironicamente, não me veio à mente nenhuma palavra de ofensa ou atitude de desafeto. O poema da Cora Coralina foi o que me veio. Dei um abraço longo nele. Sincero. E fui tomada de uma imensa gratidão por sentir que, naquele abraço, quem estava sendo acolhida era eu.
"Muitas vezes
basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio
que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia,
desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa
de outro mundo, é o que dá sentido à vida."
Aos bardos desdichados, as Deusas.
Meu querido Bardo
Desdichado, não procure Deus, procure a Deusa Cora Coralina.
Thursday, December 05, 2013
Deus, você é um truqueiro
O mais impressionante é descobrir que é Deus que trama o nosso encontro com o diabo. Porque tudo é Deus, inclusive o susto de ver que o diabo é ele. É uma gozação do universo. Truques de um mágico artista.
Monday, December 02, 2013
Alma Velha
Certa vez fui a um Pai de Santo em Salvador que, jogando os búzios, sentenciou: você é uma alma velha. Na época, nem entendi direito do que se tratava. Hoje sei. Sorte daqueles que possuem traumas de infância. Os meus vieram todos de outras encarnações. E como se não bastasse, a serem resolvidos nesta. Pelejei demais com essas cobranças. Porém, agora percebo que foi uma coisa boa encontrar os mortos e saldar as inúmeras dívidas. A minha bagagem anda cada vez mais leve porque obviamente descobri que os defuntos eram todos fantasmas, ilusões repetidas durante séculos. Real mesmo só fora do eixo tempo e espaço, amor, silêncio, Deus, o inominável, o incognoscível, o vazio, o infinito e essas coisas todas que a mente nunca alcança.
Thursday, November 21, 2013
Die Gedanken sind frei
Goethe, honrada
por você ter vindo aqui e me presenteado com a esfera de ouro e o apito de
juíza. Como se não bastasse, também me declarou Senhora dos Dois Mundos.
Obrigada!
Tuesday, October 22, 2013
De onde eu vim?
“Tengo: So,
then, who is my father?
Tengo’s Father:
Just a vacuum. Your mother joined her body with a vacuum and gave birth to you.
I filled in that vacuum”
Murakami, emocionante ler o seu livro 1Q84 e constatar que você viu o mesmo que eu. É
incrível, né? O Yin pare o Yang, seu filho. Daí, vem o Yang e se acopla ao Yin. Já
lemos e ouvimos várias vezes essa história, mas não entendemos: Maria fica grávida de seu filho Jesus e só depois é que vem José. Uma metáfora, é claro. Por isso é que o feminino será sempre a prostituta-santa, alma flechada que vira carne. Por isso é que o masculino é Pai-Filho-Espírito Santo. Como você mesmo disse: "If you can’t understand it without
an explanation, you can’t understand it with an explanation.” Representação alguma
será suficiente para mostrar o que precisa ser visto sem olhos. Um alívio saber que não estou sozinha nas minhas loucuras.
Sunday, October 13, 2013
Thursday, September 19, 2013
Sangue Tupi
Ah, Jurema, depois que te conheci, passo os dias esperando tu. E vem Iansã, e vem Yemanjá e Pomba Gira e Obá e Oxum, mas, não
tem jeito, eu quero mesmo é tu. É verdade que elas são lindas, nem sou louca de
negar, mas são partes. Só tu, Jurema, é inteira. Elas usam títulos e se dizem
rainhas porque desconhecem a força do nome mulher. Mas tu, Jurema, é sabida de ti e ser Jurema te basta. Do teu corpo terra, do teu corpo barro, do teu corpo
Gaia, brota a seiva, a selva. É nele que corre o rio. É na tua respiração que a
liberdade dança. É da tua vagina que se ouve o som: eu sou.
Monday, September 09, 2013
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