"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação, porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada. O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. Viver é muito perigoso; e não é não. Nem sei explicar estas coisas. Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor." (Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas)
Sunday, April 18, 2010
As histórias se repetem...
“As histórias que estão acontecendo e as que vão acontecer são as mesmas já acontecidas um dia. Assim acreditam os africanos iorubás. Para eles tudo na vida se repete, nada é novidade. Quando se conhece as histórias do passado é bem fácil adivinhar o presente e o futuro. Para isso basta saber qual, entre tantas histórias do passado é aquela que estamos revivendo." Reginaldo Prandi, em Oxumarê, O Arco Íris.
Hoje tive a felicidade de assistir "Áfricas" e viajar em várias histórias. Relatos remotos e, ao mesmo tempo, bem presentes; distantes, mas muito próximos. Através de danças, cores e músicas, o Bando de Teatro Olodum me transportou para a atmosfera mágica e lúdica dos contos da cultura africana, encenando narrativas que ultrapassam séculos e continentes. Lendas como esta, de Obaluaiê e Iansã:
"Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não queria entrar na festa com vergonha de suas feridas causadas pelas doenças. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou no xirê, que estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes, mas ninguém se aproximava dele. Todos tinham nojo, menos Iansã.
Altiva e corajosa, acompanhando tudo com o rabo do olho, ela esperou até que Obaluaiê estivesse bem no centro do barracão. Chegou então perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Neste momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê transformara-se num jovem belo e encantador.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Obaluaiê dá a ela o poder de também reinar sobre o mundo dos espíritos, partilhando a possibilidade única de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.
Viva o poder da cura, da continuidade e da existência!"
Vá lá! Bando de Teatro Olodum
Friday, April 16, 2010
Por favor, deixem-me no fundo do mar!

Banksy
(Para o meu querido Alê Bessa, que anda me inspirando com as suas inquietações sobre a suposta Era Digital)
Eu não sei por qual motivo, mas ando achando tudo um "dejà-vu". Deve ser a minha arrogância. Ou a idade. Ou quem sabe o capitalismo, que engole tudo numa velocidade avassaladora e deixa qualquer tipo de informação ou "novidade" com cara de colagem e reprodução.
Ultimamente algumas palavras estão me dando urticária. Quando um texto que leio discorre sobre uma abordagem "autêntica, criativa, única", sinto um calafrio percorrer o meu cérebro. O termo "innovative thinking" nem se fala. Socorro!
Diante de tantos discursos repetidos, no qual eu incluo o meu, será que ainda temos alguma salvação? Será que na voracidade de um mercado que deglute e vomita, ainda temos alguma chance, mesmo que remota, de "criar" ao invés de "imitar"?
Será que numa sociedade "twitter", na qual todos querem apenas falar e poucos querem ouvir (eu também, pois sou parte deste contexto), ainda resta a esperança de uma escuta que leve ao encontro do original? Diante de tanto ruído, será que conseguiremos escapar por uma brecha que nos possibilite entrar no silêncio e na criação primitiva e espontânea?
Será?
Ultimamente algumas palavras estão me dando urticária. Quando um texto que leio discorre sobre uma abordagem "autêntica, criativa, única", sinto um calafrio percorrer o meu cérebro. O termo "innovative thinking" nem se fala. Socorro!
Diante de tantos discursos repetidos, no qual eu incluo o meu, será que ainda temos alguma salvação? Será que na voracidade de um mercado que deglute e vomita, ainda temos alguma chance, mesmo que remota, de "criar" ao invés de "imitar"?
Será que numa sociedade "twitter", na qual todos querem apenas falar e poucos querem ouvir (eu também, pois sou parte deste contexto), ainda resta a esperança de uma escuta que leve ao encontro do original? Diante de tanto ruído, será que conseguiremos escapar por uma brecha que nos possibilite entrar no silêncio e na criação primitiva e espontânea?
Será?
Wednesday, April 14, 2010
Precisa-se de alguém com poderes mágicos
Pablo Picasso. "Minotauro acariciando a una mujer dormida", 1933
As cortinas do palco se incendiaram e as implacáveis labaredas se espalharam até as cortinas atrás das cortinas, deixando o tablado indefeso e nu. Foi quando, de rompante, vi que lá estava ele, o minotauro. Fiquei pasma. Agora, nenhum plano prévio seria capaz de me salvar daquele lugar. Diante de mim, ele me olhava com a sua pergunta de esfinge. Pânico. Os meus pensamentos não davam conta da resposta. Estava por demais cansada dos tortuosos esquemas engendrados pelos enredos. Precisava do novelo de lã. Ou do beijo de Eros para sair do labirinto. Parei e suspirei.
O Beijo
Le Baiser, 1882-1898
Rodin mexia (e mexe!) tanto com a imaginação do espectador que a sua escultura Paolo e Francesca, inspirada na obra de Dante Alighieri, foi rebatizada pelo público durante a primeira exibição em Paris - foi quando o novo nome saltou da boca de um dos apreciadores: O Beijo.
Vá lá! Exposição "Auguste Rodin, homem e gênio". Palacete das Artes Rodin Bahia
Vá lá! Exposição "Auguste Rodin, homem e gênio". Palacete das Artes Rodin Bahia
Oração ao Tempo
"És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e migo
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo..."
Tuesday, April 13, 2010
Buda Vajradhara
VAJRADHARA (sânscr.; tib., Dorjechang/ Rdo Rje 'Chang) - Detentor do Vajra; no budismo Vajrayana, o Buda da Mente Pura.
Ele me disse: "daqui a pouco você vai entrar no feminino puro". Parei. Soava familiar. Intenso. Mais ainda: poético. E mesmo que tal pureza nem existisse, a força destas palavras me comoveram. Alguns dias depois, apareceu você. E suavemente fui conduzida a um lugar antigo, que desde o meu nascimento me aguardava: a entrega absoluta.
Monday, April 12, 2010
Segredos
Como não sermos belas?
como não sermos loucas?
É do nosso destino
passear na tarde
para desencadear essências
caminhar noite adentro
abrindo portas e janelas
É da nossa natureza
os segredos do divino
a sedução do sol
que sucessivamente
acorda e adormece
apenas para dar passagem
ao mistério.
como não sermos loucas?
É do nosso destino
passear na tarde
para desencadear essências
caminhar noite adentro
abrindo portas e janelas
É da nossa natureza
os segredos do divino
a sedução do sol
que sucessivamente
acorda e adormece
apenas para dar passagem
ao mistério.
Conversar
“En un poema leo:
conversar es divino.
Pero los diosa no hablan:
hacen, deshacen mundos
mientras los hombres hablan.
Los dioses, sin palabras,
juegan juegos terribles.
El espíritu baja
y desata las lenguas
pero no habla palabras:
habla lumbre. El lenguaje,
por el dios encendido,
es una profecía
de llamas y una torre
de humo y un desplome
de sílabas quemadas:
ceniza sin sentido.
La palabra del hombre
es hija de la muerte.
Hablamos porque somos
mortales: las palabras
no son signos, son años.
Al decir lo que dicen
los nombres que decimos
dicen tiempo: nos dicen.
Somos nombres del tiempo.
Conversar es humano”.
Octavio Paz
Clarice no CCBB
"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente."
Friday, April 09, 2010
Make new mistakes
eu queria que desse certo
o que deu errado
apesar de ter errado
querendo o certo
querendo o certo
mas como deu errado
e errado permaneceu
vou acreditar
que o certo ainda está por vir
e que o que deu errado
é porque errado estava
vou aceitar o erro
que ao passado pertence
e ter fé no acerto
que espera por mim
até o fim de tudo
eu queria queimar todos os fogos
respirar todos os ares
exaurir todos os neurônios
para então
quem sabe
chegar à impossibilidade
que talvez me leve
à possibilidade de algo
eu queria chorar até a última gota
gritar até perder a voz
abrir todas as feridas
cortar tudo que me impede
e tudo aquilo que eu penso que me impede
pois de repente aí
pode ser que venha a sensação
da sensação de algo
eu queria dar de cara com todos os fantasmas
e com todos os espectros que existem nesta
e em todas as vidas
e esgotar toda sombra
que me ronda mas que não me engole
porque quiçá assim
uma fresta se abra
para a contingência de algo
para a contingência de algo
eu queria caminhar reto
direto
na direção do nada
para que de uma vez por todas
tudo acabasse
e finalmente aparecesse
ou se manifestasse
algo
em mim
algo
em mim
Thursday, April 08, 2010
Autoridade interior
Ah, essa voz... pura mágica, de tão real e viva. Uníssona e cristalina! Parece um anjo falando dentro de mim. Ai como eu queria que esse daimon sempre murmurasse as suas confidências no meu ouvido! Ai como eu queria que os deuses nunca parassem de me tocar! Mas suspeito que o meu querer de nada adianta. Só na escuta do silêncio e no vazio das expectativas é que as divindades me visitam.
Tuesday, April 06, 2010
Ressurreição na Páscoa
Obaluaê é o Orixá da Cura. Rei dos espíritos do mundo material, atua na evolução e seu campo sinaliza as passagens de um nível vibratório ou estágio da evolução para outro. Ele oculta os segredos da morte e do renascimento, da doença e da cura.
Morrer para renascer, cura, ressurreição, misericórdia, compaixão, médico das chagas do espírito.
(Este post é dedicado ao Mestre Pablo, em agradecimento ao seu poder de cura espiritual e pela coragem de ser um canal de manifestação do raio verde. Obrigada por uma Páscoa no seu verdadeiro sentido!)
(Este post é dedicado ao Mestre Pablo, em agradecimento ao seu poder de cura espiritual e pela coragem de ser um canal de manifestação do raio verde. Obrigada por uma Páscoa no seu verdadeiro sentido!)
Friday, April 02, 2010
Hoje fui no Bonfim
Jesus disse: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, esse a salvará.” (Lc 9, 23-24)
Thursday, April 01, 2010
Alguém descreveu o que eu estou sentindo VI
"Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é bem mais além
...
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração"
Chico Buarque e Djavan
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é bem mais além
...
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração"
Chico Buarque e Djavan
Wednesday, March 31, 2010
Iansã
Iansã é uma Deusa ligada à manifestação do feminino na fase crescente, trazendo em si a qualidade do movimento. Une passado com o futuro, o lado sombrio da Lua com o lado iluminado, que anuncia um novo começo. Iansã está ligada com o número 9, que é o movimento puro.
É uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo.
A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência.
É uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo.
A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência.
Tuesday, March 30, 2010
Ancestralidade
Ele me falou: você é selvagem. E aquilo soou como um lugar bastante familiar. Um espaço do qual me afastei, mas que continua lá, à minha espera. Um reconhecimento.
E, logo em seguida, recordei a sua voz que um dia me disse: "eu te vejo tão diferente". E lembrei do filme que você recomendou: Instinto, com Anthony Hopkins.
Saturday, March 27, 2010
Alguém descreveu o que eu estou sentindo V
"Quero ver você chegar, iluminar a noite
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar, o que mais interessa?
quero ver você no baile Salve Simpatia, quero ver você na festa
Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é coisa mais do que comum."
Fernanda Abreu
Dance, dance, dance
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar, o que mais interessa?
quero ver você no baile Salve Simpatia, quero ver você na festa
Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é coisa mais do que comum."
Fernanda Abreu
Dance, dance, dance
Sunday, March 21, 2010
Friday, March 19, 2010
Hoje é sexta-feira!
"Vem das águas de Oxalá
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia
Ao romper da escuridão
Linda no seu manto
Todo branco
Em meio a procissão
E eu, que ela nem via
Ao Deus pedia
Amor e proteção"
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia
Ao romper da escuridão
Linda no seu manto
Todo branco
Em meio a procissão
E eu, que ela nem via
Ao Deus pedia
Amor e proteção"
Thursday, March 18, 2010
Uma carta de amor ridícula
queria escrever uma carta de amor
a alguém que me procura
e eu procuro também
mas como ando sem inspiração
peço para essa pessoa
que aceite um bilhete
ou uma brisa ao pé do ouvido
mas se a brisa não passar
por favor
aceite o que resta
ou mesmo o que nem resta mais
um vazio que resiste em mim
e é maior que uma carta de amor
que eu juro que queria escrever
para alguém que me procura
Wednesday, March 17, 2010
Mindlin: o empresário iluminista, o doador de livros
(Roberto, especial o texto, especial você. Obrigada por me enviá-lo)
Fiquei tocada por esse texto sobre o Mindlin. E viajei. Viajei no texto e na pergunta: "Que livro salvaria se a enchente entrasse na casa?"
O essencial. Por que nos afastamos do que nos é essencial? Por que nos afastamos da doçura, do afável, do "ler para o outro", do consolar, da paixão, da doação. Por que nos permitimos embrutecer?
Por quê? Pra quê? Pra quem?
Sim, eu viajo. Viajo na esperança de chegar no perdido: a essência(l). Porque pessoas iluminadas como o MIndlin, mesmo que estejam em reuniões na Fiesp, não se afastam do mais importante: o essencial.
Como disse Goethe ao falecer: mais luz!
Tuesday, March 16, 2010
Texto do meu amigo Atus - Preservação da memória histórica
Pat, pensamentos de sábado de manhã...
Em tempos de discussões acaloradas sobre o fim do livro, kindle e leitores digitais, talvez estejamos diante do maior desafio e mudança de hábito desde os tempos de Gutemberg.
O ponto que sempre me preocupou é a preservação da memória histórica, que como um músculo, se não for exercitada, ela pode se atrofiar. Hoje a nova geração de jovens não precisa de memória, basta acessar qualquer site de informações, ainda que não saiba a importância e relevância das informações de cada site (que pode ser inútil ou não completa).
Como diz Umberto Eco, a cultura alfabética cedeu espaço pras fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade.
Esses dias eu estava folheando alguns livros velhos que eu tenho na casa da minha mãe e encontrei o clássico "Sonhos de Robô", do espetacular Isaac Asimov.
Essa é uma maravilhosa história de ficção científica escrita nos anos 50. Trata-se de uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, todas as atividades, inclusive as mais simples contas de multiplicar.
De repente, o mundo entra em guerra e acontece um tremendo e completo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos em todas as partes do mundo e o mundo para. Não há o que fazer. Os humanos não sabem mais como fazer o básico. Nem as contas básicas de soma e multiplicação!
Até que se descobre um velho homem do interior do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de ser a salvação do mundo, ele se torna uma arma poderosíssima e passa a ser disputado por todos os governos, até ser capturado pelo Pentágono.
Não é maravilhoso? Isso pra mim, é uma parábola da importância de mantermos a preservação da memória histórica, de livros em papel, de leitura dos clássicos, como forma de vantagem competitiva em nossa equipe insitum. Porque num futuro próximo, talvez os jovens não tenham mais essa habilidade tão forte.
Se você tiver curiosidade e tempo, eu recomendaria ler o conto do Asimov, lembre-se que ele escreveu na década de 50!
Apenas para critério mais explicativo, o texto relaciona muito o modo como homem e máquina utilizam para pensar. É bom lembrar que isso é apenas fictício e que operações descritas como multiplicação e divisão são processadas de maneiras muito diferentes.
Palavras de Darcy Ribeiro
“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"
Darcy Ribeiro
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu"
Darcy Ribeiro
Monday, March 15, 2010
O mesmo filme
Tô cansada de caminhar
e voltar para o mesmo lugar
ver a mesma historinha passar
assistir um filme
que eu já sei como vai terminar
gostaria que desta vez fosse diferente
cada um dizendo
o que realmente sente
com coragem de
se entregar ao sentimento
ao invés de atravancar
no corrompido
e falsificado pensamento
sem ficar atada ao inconsciente
que sempre nos leva
aos mesmos condicionamentos
às mesmas faltas
e lamentos
sem jogo de dominação
que charmosamente nomeamos de sedução
mas que apenas representa
uma repetição e impede o fluxo até o coração
quero espaço para
respirar
deixar a alma susurrar
para finalmente
escapar desta superfície
circular.
Sunday, March 14, 2010
Reverência
Lud, minha querida amiga, obrigada por tanta inspiração durante o workshop de Suzuki e Viewpoints. Na concepção mais profunda da palavra: você é uma mestra. Quero deixar aqui registrada a minha reverência, com esta frase do Quintana.
E viva o nosso Self criativo!
Istambul, set 09.
"Buscas a perfeição? Não sejas vulgar. A autenticidade é muito mais difícil"
Mário Quintana
Friday, March 12, 2010
Frágil
pensei em te dizer algo
mas a palavra não sai
vou passar um estilete na garganta
para ver se aí
o sangue escorre
Só podemos fazer 50%
O incontrolável pertence
aos orixás e santos
que ordenam
o caos da vida
A nós
cabe apenas
o vir-a-ser humano
na revelia do caos
Porque sob o nosso domínio
temos apenas a nossa parte
E o resto está subjugado
ao que não dominamos
Porque sob o nosso domínio
temos apenas a nossa parte
E o resto está subjugado
ao que não dominamos
Friday, February 26, 2010
Thursday, February 25, 2010
Fragilidade exposta
você não tinha o direito
de antecipar a fala
ignorando
o pacto que tínhamos
naquela sala
mas eu sei
que o ego
sempre se atrapalha
e viola a sensibilidade
em nome de uma suposta
correção de falha
agora
rasgou a rede de proteção
e a única coisa que resta
é uma pergunta esticada
na minha direção
preciso respirar
antes da cortina
cair e a platéia
começar a vaiar
todo o texto
perdeu o sentido
e eu sinceramente não sei
por onde retomar
de antecipar a fala
ignorando
o pacto que tínhamos
naquela sala
mas eu sei
que o ego
sempre se atrapalha
e viola a sensibilidade
em nome de uma suposta
correção de falha
agora
rasgou a rede de proteção
e a única coisa que resta
é uma pergunta esticada
na minha direção
preciso respirar
antes da cortina
cair e a platéia
começar a vaiar
todo o texto
perdeu o sentido
e eu sinceramente não sei
por onde retomar
Saturday, February 20, 2010
Wednesday, February 17, 2010
O silêncio
Thursday, February 11, 2010
Sábio Doc II
Friday, February 05, 2010
Discurso
Tem horas que o que eu falo
não é o que eu penso
porque a minha fala se apressa
e confunde o meu pensamento
Tem horas que o que eu digo
não é o que eu sinto
porque tenho medo
de expor a minha opinião
e de ser julgada
ou mal interpretada
Pior é travar
sem saber o que falar
pensando se vai sair do jeito
que o outro quer escutar
Ou será ainda pior congelar
com receio do que
o outro vai pensar?
É como decorar a fala
e esquecer a deixa na hora "h"
Se eu paro para analisar
fatalmente vou errar
Ou ter um texto predefinido
com tudo no lugar
mas quando eu abro a boca para falar
ninguém consegue se emocionar
Dizem que a chave desta equação
é ser espontânea
mas quem consegue se entregar
quando existe tanto julgamento no ar?
Às vezes acaba virando
um jogo de poder
cada um pensando
como pode aparecer
Mas qual o sentido
deste tipo de encenação
se no fundo tem tanta gente
com receio de se expressar livremente
e deixando de dizer
o que realmente sente?
...
Sunday, January 24, 2010
No palco
o mais difícil nao é a fala
mas sim o momento do silêncio
em frente ao público, sem palavras
quando o vazio se instaura
e a verdade se estabelece
mas sim o momento do silêncio
em frente ao público, sem palavras
quando o vazio se instaura
e a verdade se estabelece
Escolhas
Eu demoro
eu teimo
eu não desisto
Eu não solto
eu carrego
eu adiciono
sem subtrair
Eu quero mais
sem abrir mão
eu quero tudo
Até quando?
eu teimo
eu não desisto
Eu não solto
eu carrego
eu adiciono
sem subtrair
Eu quero mais
sem abrir mão
eu quero tudo
Até quando?
sem fim
Tanto mar
Monday, January 11, 2010
SENTI(N)DO
O Pequeno Príncipe na Oca, SP dez 09
Para os meus queridos João e Doc, fontes alquímicas de inspiração.
Na vida eu só não quero perder
o sentido do sentido
que a vida tem pra mim
E se para isso
eu tiver que mudar
ninguém vai me parar
Eu desautorizo limites
que não me dizem nada
e me recuso a aceitar
uma fórmula pré-inventada
Apenas me captura
o que tem significado
para a minha alma
Todo o resto é ruído
que precisa ser diluído
Como diz Guimarães
o que a vida "quer da gente é coragem"
é por pura covardia
que paralisamos nesta viagem
No fundo, a transformação
nada mais é que revelação
É quando finalmente
chegamos no coração
Naquele espaço
sem nome
sem definição
sem mente
Ali onde resta apenas
o que a gente sente,
sentindo sentido.
Sunday, December 20, 2009
Poema para 2010 do meu amigo Cau
"Da janela do meu quarto avisto o Cristo
De que será que me visto?
De roupa, papel, de jornal
Não faz mal.
Não importa mesmo agora
Quem chegue, quem vá ou quem fique
Apenas risque
Porque é preciso espaço pra viver
E apagar, e esquecer.
Pra só então abrir o dia
Neste sol, uma janela pra alegria
E dizer:
Amo muito você!"
"Que em 2010 possamos trocar mais poesias, nos entender pela música, enxergar pelas metáforas e celebrar a imensa sorte de termos nos conhecido nesta vida!"
Luiz Cláudio
De que será que me visto?
De roupa, papel, de jornal
Não faz mal.
Não importa mesmo agora
Quem chegue, quem vá ou quem fique
Apenas risque
Porque é preciso espaço pra viver
E apagar, e esquecer.
Pra só então abrir o dia
Neste sol, uma janela pra alegria
E dizer:
Amo muito você!"
"Que em 2010 possamos trocar mais poesias, nos entender pela música, enxergar pelas metáforas e celebrar a imensa sorte de termos nos conhecido nesta vida!"
Luiz Cláudio
Wednesday, December 09, 2009
A Porta no Caminho
Vibrando...
Entendimento é para principiantes. O que importa mesmo é sentir. É chegar no inominável.
Sunday, December 06, 2009
A Sombra
O meu irmão escreveu este poema lindo:
"uma sombra me segue
uma sombra diferente de mim
ela é segura de seus passos
sabe os caminhos que a esperam
e o destino reservado para si
ela está sempre perto
mas parece tão distante
quero chegar mais perto
tocá-la
sentir seu cheiro
abraça-la, tão difícil missão
ela não foge
está tão perto
ela nunca se mostra por inteiro
está tão distante
vejo sua silhueta, sua forma
sua cor, sua essência
ela me seduz
me traduz
não se cansa, não se cala
me ignora
espera por mim
me acompanha
uma sombra me segue"
Eduardo Sampaio
"uma sombra me segue
uma sombra diferente de mim
ela é segura de seus passos
sabe os caminhos que a esperam
e o destino reservado para si
ela está sempre perto
mas parece tão distante
quero chegar mais perto
tocá-la
sentir seu cheiro
abraça-la, tão difícil missão
ela não foge
está tão perto
ela nunca se mostra por inteiro
está tão distante
vejo sua silhueta, sua forma
sua cor, sua essência
ela me seduz
me traduz
não se cansa, não se cala
me ignora
espera por mim
me acompanha
uma sombra me segue"
Eduardo Sampaio
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