Fiquei pensando: imagine se uma estrelinha resolvesse brilhar apenas quando alguém olhasse para ela? Que triste seria! Que bom que as estrelas brilham sem precisar de aprovação e mesmo sem platéia. Que bom que as estrelinhas não ficam se perguntando, se as estrelas maiores brilham mais que elas. Apenas seguem brilhando. Fazendo o que é de sua natureza.
Tuesday, May 11, 2010
Monday, May 10, 2010
Sobre os fracassos. Os meus fracassos.
(Para os meus queridos amigos Nathalie, Cris e Claus)
Um grupo de amigos e eu combinamos que vamos nos reunir em breve para falarmos sobre os nossos fracassos - sim, porque hoje em dia, todo mundo só narra os sucessos. Ou mesmo antigamente, haja vista o poema do Fernando Pessoa: "nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." Assim sendo, comecei a pensar nos meus malogros. Não que eu tenha começado a explorar este assunto apenas neste instante. Muito pelo contrário. Mas agora irei descrevê-los publicamente. Suspiro.
Bem, eu coleciono uma sucessão de fracassos na minha vida pessoal. Foi um atrás do outro. Sempre. Possuo uma incapacidade confessa de lidar com a vida dita amorosa. Porque eu tenho aquela mania chata das pessoas cheias de medo: ninguém nunca serve. E quando serve, eu desconfio. Penso. Analiso. Questiono. Será? E neste “será?”, o tempo passa. O outro cansa. E eu ali: equacionando o inequacionável. Em suma, eu sou uma problemática. Os meus amigos já sabem. É aquela novela que inicia da mesma forma: "bacana, porém..." e termina do mesmo jeito: "acho que não". Dizem que eu sou exigente. Vai ver que sou. Mas tem aquele ditado: "quem desdenha quer comprar". E eu acrescento: todavia não quer assumir seu querer com receio de fazer um mau negócio. Fico nessa: perdido por perdido, deixa quieto. A minha salvação é que aparecem os heróis. Ou os loucos. E um belo dia, surgiu um herói louco e eu casei.
Gostaria de poder dizer aqui: “e viveram felizes para sempre”. Entretanto, a frase do Renato Russo é mais atual: "pra sempre, sempre acaba". E de todos os fracassos pessoais que eu acumulo, o maior deles foi o fim do meu casamento. Sim, fracassei. E lamento profundamente que não tenha dado certo. Aí, vira e mexe, chegam aquelas pessoas que me falam: "Pat, mas deu. Deu certo por 12 anos". Hoje em dia tem isso. As pessoas se sentem obrigadas a serem positivas - é o cacoete do tal "positive thinking" - e por esta razão sustentam este papo de que "deu certo enquanto durou". Confesso que eu quase caí nessa ladainha. Por um tempo falei essa bobagem. Hoje eu sei: deu errado. Queria que o final fosse outro, mas não foi. Este é o princípio do fracasso, você quer imensamente uma coisa, tenta de tudo, e não acontece. Ou simplesmente desacontece. E, no meu caso, desaconteceu.
Eu considero extremamente difícil assumir um fracasso, absolutamente além das minhas forças. Porque, no meu íntimo, eu não acho que tive um fracasso. O que eu sinto mesmo é: "eu sou um fracasso". Um sentimento de absoluta incapacidade me invade quando o insucesso se concretiza. Eu fico ali, parada. Sentada no meio-fio. Olhando os carros passarem. Nem o horizonte eu consigo enxergar. E tem coisa mais sem sentido do que ficar contando os carros que passam enquanto você mantricamente repete perguntas absurdas do tipo: por que não deu certo? O que eu poderia ter feito para reverter?
Para mim, essa é a pior parte do fracasso: eu não aceito. Não tem jeito: eu não aceito. Eu continuo ali, contando os carros e especulando. Aí o tempo passa e eu fico ponderando o que fazer com a ruína. Tem gente que finge tranqüilidade e joga debaixo do tapete. Bem, eu fracasso até nisso. Dizem que os sábios aprendem com os erros. Eu faço parte do grupo dos burros: juro que não sei o que aprender com o acontecido. Pois imagino que o próximo relacionamento será diferente e eu também não vou ser igual. Afinal, tudo é incrivelmente mutante e imprevisível: as pessoas, o lugar, o tempo.
Talvez esta seja mais uma desculpinha idiota para acalmar os fracassados: aproveite o erro e aprenda com ele. Será mesmo que a vida é assim? Acho arrogante acreditar que podemos aprender com o fracasso. Aprende não. Aprende nada. Sabe por quê? Porque no final das contas, o único aprendizado que a vida nos pede com relação ao fracasso é aceitar. Aceitar a nossa impotência de não sabermos como será o próximo encontro. Aceitar que os acontecimentos são incontroláveis. Aceitar que não podemos driblar os deuses. Aceitar quem você é. Aceitar quem o outro é. No dia em que aceitamos plenamente a aceitação, que absorvemos existencialmente o fracasso, o que precisava ser aprendido finalmente se materializa.
E isto me lembra Nietzsche, uma pessoa que nunca entendeu de casamentos, mas compreendeu profundamente a existência humana: "Amor fati" [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor". "Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade." É isso. Acolher o fracasso e o sucesso. Receber de boa vontade o bom e o ruim. Acertar e falhar. Para quem sabe, assim, permitir que a nossa humanidade seja, enfim, humana. Como disse Pessoa: "Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?"
Sunday, May 09, 2010
Let yourself feel
let yourself feel. from Esteban Diácono on Vimeo.
Recebi do meu irmão hoje. Lindos! O vídeo e o meu irmão. Apareceram na hora certa, após um almoço inesperado: just going with the flow...
Friday, May 07, 2010
Tarantino's mind
Tarantino's Mind from sessões de cinema on Vimeo.
Curta-metragem (15') de Selton Mello e Seu Jorge sobre a obra do diretor Quentin Tarantino.
O documentário em si revela o que seria um código do diretor e mostra como Tarantino pensou desde o início, antes mesmo de dirigir, nos seus personagens e deu continuidade a eles nos filmes que fez em seguida.
Thursday, May 06, 2010
Chicken Jokes!
Eu aqui pensando na vida e o Márcio me manda essa! Como ele mesmo diz: "o nosso papo não termina nunca." E eu acrescento: com ótimos intervalos de telepatia ;)
Wednesday, May 05, 2010
Eu me pipoquei de rir!
O ator Bemvindo Sequeira conta sua aventura de tentar tomar sorvete na Bahia, seu primeiro contato com o povo baiano.
Chega de esperar Godot
(Para os meus amigos virginianos no signo ou na atitude)
Eu sempre fui uma daquelas pessoas perfeccionistas. Agora, felizmente, bem menos. Não por opção própria. Mas porque o tempo ensina.
O pior do perfeccionista é a auto-exigência, logo transformada em auto-crítica. É uma carga chata. Multiplique este peso ao longo de vários anos. Não há quem suporte. Por isso, em algum momento, quando a exaustão, de fato, bateu, simplesmente percebi que a "tentativa de ser perfeita e fazer perfeito" era a opressão mais insensata que carregava na minha vida. Confesso que queria ter me livrado deste vício completamente e me tornado uma total falha humana. Entretanto, os defeitos de fabricação não te abandonam assim, de um dia para outro. Eles são resistentes. Renitentes mesmo.
Além do perfeccionismo em si, o perfeccionista possui várias imperfeições. A pior delas é que ele tem orgulho desta inútil tentativa e continuamente alimenta esta busca. Ele fica sempre à espera de Godot. Aguardando que algo seja melhor. Venha melhor. Aconteça melhor. Tentando ser melhor. Fazer melhor. Ele fica nesta absurdez. Nesta inutilidade. Esperando o impossível: o perfeito. E, exatamente como os personagens no final da peça, que se negam a sair de cena, mesmo já sabendo que Godot não vem, o perfeccionista desentende a chegada do fim. Ele continua ali. Imóvel. Inerte. Ele paralisa. Apenas, e somente apenas, porque se acostumou àquele espaço: o da expectativa. Um lugar estéril que impede a revelação espontânea. Por isso eu digo: chega de esperar Godot.
Sunday, May 02, 2010
Saturday, May 01, 2010
Fragmento de vida - eu digo: sim!
Cansei da dor e resolvi rimar amor com amor. Era peso demais. Desgaste demais. Impedimento demais. E como amorosamente me encontro, preciso esclarecer que não rejeito a aflição de forma brutal. E nem esperneio ou grito com ela. Delicadamente desvio meu coração do seu ataque e levanto o meu olhar para o horizonte. Serenamente entro numa nova frequência poética: amor com amor. Suave estou e suave permaneço nesta sintonia melódica. Respirando. Relaxando. Fico neste merecimento doce, depois de tanto cansaço antigo. E se o sofrimento insistir, se me mandar e-mail ou torpedo, tranqüilamente direi: errou de endereço. Aqui estou eu em outra vibração. No espaço dos afetos e das carícias afirmativas. No campo das gentilezas francas e crédulas. Na pulsão da vida. Embalada pela providência do sentir e da entrega.
Friday, April 30, 2010
Pequeno Príncipe na Oca.
Pressinto que o nosso resgate está na entrega ao que ainda não foi nomeado ou explicado. Ao que ainda não foi formulado. Sentir o sentir que precede o pensar é a nossa única salvação. A razão mata o sentir anterior e inviabiliza o sentir seguinte. Aniquila o divino original. Entendimento é para principiantes. Todos os dias peço a Deus que o inominável me atinja.
Wednesday, April 28, 2010
Fragmentos antes da morte
Capão, set 2009.
A única coisa que me impede sou eu. Que me limita. Que me prende. Por que é que eu fico culpando os outros? Ah, como eu sou idiota. Mas Raul já disse isso. Ridícula, idota e que só usa 10% da minha cabeça animal. Que lástima! Eu sou um original que não consegue se expressar além da cópia. Além de colagens de frases de outros. De idéias de outros. Será que um dia serei arrebatada por um daimon que exprima a minha essência de forma singular? Os poetas conseguem isso. Os pintores. Os músicos. E quem não é artista, manifesta como o seu assombro pelo mundo? Vivo em busca desta resposta, que nunca chega. Alguém se habilita? Apenas um alerta: respostas enlatadas não me convencem. Eu ando ingênua ao sentimento. Ou a qualquer afeto sincero que pulsa. Pulsa.
Sunday, April 25, 2010
Sem espelho
De que adiantar falar de amor? Eu quero ser amor.
De que adianta falar de flor? Eu quero ser entrega.
De que adianta falar do discurso? Eu quero ser percurso.
De que adianta falar de mudança? Eu quero ser coragem.
De que adianta falar do sentimento? Eu quero ser atingida.
De que adianta falar da verdade? Eu quero ser consciência.
De que adianta falar de liberdade? Eu quero ser.
Eu queria ter escrito este texto...
Forjando a Armadura
"Nego a submeter-me ao medo
Que me tira a alegria de minha liberdade
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser direto e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Quero viver, não quero encarcerar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro,
não para encobrir meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor,
não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros
pelo medo de que possam impor algo a mim;
Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.
Não quero fugir de volta para o velho, para o inaceitável,
por medo de não me sentir seguro novamente.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de ser,
caso contrário, ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço
e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao Amor.
E quero crer no reino que existe em mim.”
Rudolf Steiner
Saturday, April 24, 2010
Ele, o Tempo
digo não
e ele irredutível
me ignora
digo sim
e ele faceiro
me dribla
impetuoso
ele me come
me digere
me alimenta
movediço
ele me cansa
me persegue
me arrasta
corro
tentando acompanhar
seu ritmo
e ele pede: rasteje
engatinho
espreitando um acerto
e ele me ordena
dance!
ele que tudo sabe
do que ocorreu
ocorre e
ocorrerá
segue. volátil
com perguntas,
respostas
respostas
e provocações
solventes. inflamadas
e na sua cadência
mantém sua rotação
contam que profetizada
nos registros
akáshicos
Friday, April 23, 2010
Você sabe o que é Sevirologia?
SEVIROLOGIA: “se virar para vir-a-ser”
É um movimento criado a partir do processo de trabalho de formação de jovens na ONG Eletrocooperativa. Vem da expressão “se virar”: quando a gente se vira, fortalecemos nosso ser e nos encontramos com a nossa própria sabedoria. Isso traz uma nova forma de olhar para a vida, nos traz uma mudança de perspectiva, fortalece nossa auto-estima porque percebemos que somos capazes de fazer o melhor com aquilo que temos. O sevirólogo aprende sozinho e com os outros para construir seus caminhos sempre por meio da ação em busca da transformação. É um ser integral com quatro dimensões: a política, a ambiental, a cultural e a econômica.
O processo de formação é realizado na Eletrocooperativa em Salvador. Semanalmente os jovens assistem a uma palestra sobre determinados valores fundamentais. A partir de uma intensa reflexão, criam vídeos, músicas e programas de rádio que reúnem as idéias que foram discutidas.
Para se aprofundar na Sevirologia
Exemplo vivo de "se vira!": o músico baiano Gerônimo fala sobre o Projeto "O Pagador de Promessas" e como surgiu "Eu sou negão. Meu coração é a Liberdade"
Thursday, April 22, 2010
Nigerian author, Chris Abani, on our shared humanity
Chris Abani tells stories of people: People standing up to soldiers. People being compassionate. People being human and reclaiming their humanity. It's "ubuntu," he says: the only way for me to be human is for you to reflect my humanity back at me.
Legendas em português disponíveis no vídeo.More on Chris Abani and his website.
Monday, April 19, 2010
Salve griot Sotigui Kouyaté!
"Aconteceram muitos mistérios na minha vida. O Peter Brook fala em um documentário que tenho a capacidade de viver em dois mundos diferentes: no mundo visível e no invisível. É difícil fazer compreenderem isso. Tudo é cultural. Milagres existem, mas só acontecem para os que acreditam. E são relativos também, porque é preciso saber enxergá-los e compreendê-los".
Sunday, April 18, 2010
Das coisas inacabadas
às vezes fico pensando
porque não vivo as coisas até o fim.
mas alguém sabe
onde é que fica o fim das coisas?
suspeito que o peso
do inacabado
esteja envergando
a minha visão
e impedindo
a minha entrada
em outra dimensão
bem, dizem que só acaba
quando exaure
e de que nada adianta
querer decretar o final
mas, e se eu largar pra trás
assim, sem mais nem menos?
e se eu cortar
assim, de vez?
passar uma lâmina
na jugular e
deixar o sangue rolar
até o "que poderia ser"
finalmente estancar?
vou deixar para depois
essa ponderação
em mais uma gestalt aberta
sem definição.
vou deixar para depois
essa ponderação
em mais uma gestalt aberta
sem definição.
sertão-mundo
"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação, porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada. O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. Viver é muito perigoso; e não é não. Nem sei explicar estas coisas. Um sentir é o do sentente, mas outro é do sentidor." (Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas)
As histórias se repetem...
“As histórias que estão acontecendo e as que vão acontecer são as mesmas já acontecidas um dia. Assim acreditam os africanos iorubás. Para eles tudo na vida se repete, nada é novidade. Quando se conhece as histórias do passado é bem fácil adivinhar o presente e o futuro. Para isso basta saber qual, entre tantas histórias do passado é aquela que estamos revivendo." Reginaldo Prandi, em Oxumarê, O Arco Íris.
Hoje tive a felicidade de assistir "Áfricas" e viajar em várias histórias. Relatos remotos e, ao mesmo tempo, bem presentes; distantes, mas muito próximos. Através de danças, cores e músicas, o Bando de Teatro Olodum me transportou para a atmosfera mágica e lúdica dos contos da cultura africana, encenando narrativas que ultrapassam séculos e continentes. Lendas como esta, de Obaluaiê e Iansã:
"Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Obaluaiê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Obaluaiê não queria entrar na festa com vergonha de suas feridas causadas pelas doenças. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogum, ao perceber a angústia do Orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaiê entrou no xirê, que estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes, mas ninguém se aproximava dele. Todos tinham nojo, menos Iansã.
Altiva e corajosa, acompanhando tudo com o rabo do olho, ela esperou até que Obaluaiê estivesse bem no centro do barracão. Chegou então perto dele e soprou suas roupas de palha com seu vento. Neste momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaiê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Obaluaiê transformara-se num jovem belo e encantador.
Em recompensa pelo gesto de Iansã, Obaluaiê dá a ela o poder de também reinar sobre o mundo dos espíritos, partilhando a possibilidade única de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.
Viva o poder da cura, da continuidade e da existência!"
Vá lá! Bando de Teatro Olodum
Friday, April 16, 2010
Por favor, deixem-me no fundo do mar!

Banksy
(Para o meu querido Alê Bessa, que anda me inspirando com as suas inquietações sobre a suposta Era Digital)
Eu não sei por qual motivo, mas ando achando tudo um "dejà-vu". Deve ser a minha arrogância. Ou a idade. Ou quem sabe o capitalismo, que engole tudo numa velocidade avassaladora e deixa qualquer tipo de informação ou "novidade" com cara de colagem e reprodução.
Ultimamente algumas palavras estão me dando urticária. Quando um texto que leio discorre sobre uma abordagem "autêntica, criativa, única", sinto um calafrio percorrer o meu cérebro. O termo "innovative thinking" nem se fala. Socorro!
Diante de tantos discursos repetidos, no qual eu incluo o meu, será que ainda temos alguma salvação? Será que na voracidade de um mercado que deglute e vomita, ainda temos alguma chance, mesmo que remota, de "criar" ao invés de "imitar"?
Será que numa sociedade "twitter", na qual todos querem apenas falar e poucos querem ouvir (eu também, pois sou parte deste contexto), ainda resta a esperança de uma escuta que leve ao encontro do original? Diante de tanto ruído, será que conseguiremos escapar por uma brecha que nos possibilite entrar no silêncio e na criação primitiva e espontânea?
Será?
Ultimamente algumas palavras estão me dando urticária. Quando um texto que leio discorre sobre uma abordagem "autêntica, criativa, única", sinto um calafrio percorrer o meu cérebro. O termo "innovative thinking" nem se fala. Socorro!
Diante de tantos discursos repetidos, no qual eu incluo o meu, será que ainda temos alguma salvação? Será que na voracidade de um mercado que deglute e vomita, ainda temos alguma chance, mesmo que remota, de "criar" ao invés de "imitar"?
Será que numa sociedade "twitter", na qual todos querem apenas falar e poucos querem ouvir (eu também, pois sou parte deste contexto), ainda resta a esperança de uma escuta que leve ao encontro do original? Diante de tanto ruído, será que conseguiremos escapar por uma brecha que nos possibilite entrar no silêncio e na criação primitiva e espontânea?
Será?
Wednesday, April 14, 2010
Precisa-se de alguém com poderes mágicos
Pablo Picasso. "Minotauro acariciando a una mujer dormida", 1933
As cortinas do palco se incendiaram e as implacáveis labaredas se espalharam até as cortinas atrás das cortinas, deixando o tablado indefeso e nu. Foi quando, de rompante, vi que lá estava ele, o minotauro. Fiquei pasma. Agora, nenhum plano prévio seria capaz de me salvar daquele lugar. Diante de mim, ele me olhava com a sua pergunta de esfinge. Pânico. Os meus pensamentos não davam conta da resposta. Estava por demais cansada dos tortuosos esquemas engendrados pelos enredos. Precisava do novelo de lã. Ou do beijo de Eros para sair do labirinto. Parei e suspirei.
O Beijo
Le Baiser, 1882-1898
Rodin mexia (e mexe!) tanto com a imaginação do espectador que a sua escultura Paolo e Francesca, inspirada na obra de Dante Alighieri, foi rebatizada pelo público durante a primeira exibição em Paris - foi quando o novo nome saltou da boca de um dos apreciadores: O Beijo.
Vá lá! Exposição "Auguste Rodin, homem e gênio". Palacete das Artes Rodin Bahia
Vá lá! Exposição "Auguste Rodin, homem e gênio". Palacete das Artes Rodin Bahia
Oração ao Tempo
"És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e migo
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo..."
Tuesday, April 13, 2010
Buda Vajradhara
VAJRADHARA (sânscr.; tib., Dorjechang/ Rdo Rje 'Chang) - Detentor do Vajra; no budismo Vajrayana, o Buda da Mente Pura.
Ele me disse: "daqui a pouco você vai entrar no feminino puro". Parei. Soava familiar. Intenso. Mais ainda: poético. E mesmo que tal pureza nem existisse, a força destas palavras me comoveram. Alguns dias depois, apareceu você. E suavemente fui conduzida a um lugar antigo, que desde o meu nascimento me aguardava: a entrega absoluta.
Monday, April 12, 2010
Segredos
Como não sermos belas?
como não sermos loucas?
É do nosso destino
passear na tarde
para desencadear essências
caminhar noite adentro
abrindo portas e janelas
É da nossa natureza
os segredos do divino
a sedução do sol
que sucessivamente
acorda e adormece
apenas para dar passagem
ao mistério.
como não sermos loucas?
É do nosso destino
passear na tarde
para desencadear essências
caminhar noite adentro
abrindo portas e janelas
É da nossa natureza
os segredos do divino
a sedução do sol
que sucessivamente
acorda e adormece
apenas para dar passagem
ao mistério.
Conversar
“En un poema leo:
conversar es divino.
Pero los diosa no hablan:
hacen, deshacen mundos
mientras los hombres hablan.
Los dioses, sin palabras,
juegan juegos terribles.
El espíritu baja
y desata las lenguas
pero no habla palabras:
habla lumbre. El lenguaje,
por el dios encendido,
es una profecía
de llamas y una torre
de humo y un desplome
de sílabas quemadas:
ceniza sin sentido.
La palabra del hombre
es hija de la muerte.
Hablamos porque somos
mortales: las palabras
no son signos, son años.
Al decir lo que dicen
los nombres que decimos
dicen tiempo: nos dicen.
Somos nombres del tiempo.
Conversar es humano”.
Octavio Paz
Clarice no CCBB
"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente."
Friday, April 09, 2010
Make new mistakes
eu queria que desse certo
o que deu errado
apesar de ter errado
querendo o certo
querendo o certo
mas como deu errado
e errado permaneceu
vou acreditar
que o certo ainda está por vir
e que o que deu errado
é porque errado estava
vou aceitar o erro
que ao passado pertence
e ter fé no acerto
que espera por mim
até o fim de tudo
eu queria queimar todos os fogos
respirar todos os ares
exaurir todos os neurônios
para então
quem sabe
chegar à impossibilidade
que talvez me leve
à possibilidade de algo
eu queria chorar até a última gota
gritar até perder a voz
abrir todas as feridas
cortar tudo que me impede
e tudo aquilo que eu penso que me impede
pois de repente aí
pode ser que venha a sensação
da sensação de algo
eu queria dar de cara com todos os fantasmas
e com todos os espectros que existem nesta
e em todas as vidas
e esgotar toda sombra
que me ronda mas que não me engole
porque quiçá assim
uma fresta se abra
para a contingência de algo
para a contingência de algo
eu queria caminhar reto
direto
na direção do nada
para que de uma vez por todas
tudo acabasse
e finalmente aparecesse
ou se manifestasse
algo
em mim
algo
em mim
Thursday, April 08, 2010
Autoridade interior
Ah, essa voz... pura mágica, de tão real e viva. Uníssona e cristalina! Parece um anjo falando dentro de mim. Ai como eu queria que esse daimon sempre murmurasse as suas confidências no meu ouvido! Ai como eu queria que os deuses nunca parassem de me tocar! Mas suspeito que o meu querer de nada adianta. Só na escuta do silêncio e no vazio das expectativas é que as divindades me visitam.
Tuesday, April 06, 2010
Ressurreição na Páscoa
Obaluaê é o Orixá da Cura. Rei dos espíritos do mundo material, atua na evolução e seu campo sinaliza as passagens de um nível vibratório ou estágio da evolução para outro. Ele oculta os segredos da morte e do renascimento, da doença e da cura.
Morrer para renascer, cura, ressurreição, misericórdia, compaixão, médico das chagas do espírito.
(Este post é dedicado ao Mestre Pablo, em agradecimento ao seu poder de cura espiritual e pela coragem de ser um canal de manifestação do raio verde. Obrigada por uma Páscoa no seu verdadeiro sentido!)
(Este post é dedicado ao Mestre Pablo, em agradecimento ao seu poder de cura espiritual e pela coragem de ser um canal de manifestação do raio verde. Obrigada por uma Páscoa no seu verdadeiro sentido!)
Friday, April 02, 2010
Hoje fui no Bonfim
Jesus disse: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, esse a salvará.” (Lc 9, 23-24)
Thursday, April 01, 2010
Alguém descreveu o que eu estou sentindo VI
"Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é bem mais além
...
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração"
Chico Buarque e Djavan
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é bem mais além
...
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração"
Chico Buarque e Djavan
Wednesday, March 31, 2010
Iansã
Iansã é uma Deusa ligada à manifestação do feminino na fase crescente, trazendo em si a qualidade do movimento. Une passado com o futuro, o lado sombrio da Lua com o lado iluminado, que anuncia um novo começo. Iansã está ligada com o número 9, que é o movimento puro.
É uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo.
A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência.
É uma mulher que está ligada ao passado, ao coletivo, pela origem comum da necessidade fertilizadora do feminino e está ligada ao futuro pela necessidade de diferenciação, que a tirará do coletivo e a jogará sempre para frente, para o novo. É inconformada e inquieta, está voltada para o impulso de empreender coisas, de realizar seu poder criativo.
A mulher que sente impulso para criar, para dar significado ao seu mundo, precisa ser fiel aos seus conteúdos internos, à Deusa dentro de si. O ato criativo é o processo de se arriscar, de se jogar no desconhecido, de mergulho nas fontes fertilizadoras, da viagem interna em busca da essência das coisas. O desejo de criar move o contato com o informe pela necessidade de dar forma, de arrancar da terra coisas vitais para alimentar a consciência.
Tuesday, March 30, 2010
Ancestralidade
Ele me falou: você é selvagem. E aquilo soou como um lugar bastante familiar. Um espaço do qual me afastei, mas que continua lá, à minha espera. Um reconhecimento.
E, logo em seguida, recordei a sua voz que um dia me disse: "eu te vejo tão diferente". E lembrei do filme que você recomendou: Instinto, com Anthony Hopkins.
Saturday, March 27, 2010
Alguém descreveu o que eu estou sentindo V
"Quero ver você chegar, iluminar a noite
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar, o que mais interessa?
quero ver você no baile Salve Simpatia, quero ver você na festa
Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é coisa mais do que comum."
Fernanda Abreu
Dance, dance, dance
Eu paro só pra ver você deixar de lado toda minha pressa
Quero ver você dançar, o que mais interessa?
quero ver você no baile Salve Simpatia, quero ver você na festa
Há algum pensamento bom, qualquer lugar, lugar nenhum
Um desencontro na cidade é coisa mais do que comum."
Fernanda Abreu
Dance, dance, dance
Sunday, March 21, 2010
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