Siga-se.
Friday, April 15, 2011
Thursday, April 14, 2011
Wednesday, April 13, 2011
Inexplicavelmente feliz
Sem grandes acontecimentos, sem aplausos estrondosos, sem viagens mirabolantes, sem casos tórridos de amor, sem dinheiro de loteria. Sem ficções. Apenas com o que verdadeiramente me alimenta e me mantém conectada à alegria do aqui e agora: a minha essência. Fora do labirinto, enfim.
Monday, April 11, 2011
Madona Negra
No sonho, eu era a madona negra e, nos meus braços, o seu filho mamava. Você redimido e liberto, ao meu lado, tranquilamente repousava. Lá do alto, os mestres apareciam e anunciavam o resgate do sol através da reverência à pura energia lunar: o masculino sagrado havia finalmente reencarnado e nenhum homem mais precisaria lutar.
Madona Negra, Cláudio Canato
“A história da Madona Negra possui a qualidade dos mistérios profundos. Do que pode ser revelado pela escrita, temos o registro histórico que nos remete aos cultos da Mãe Terra, da Grande Mãe - a Deusa.
'A escuridão precede a luz e ela é me' (inscrição no altar da Catedral de Salerno). A primeira sabedoria era escura e feminina, útero eterno que na tradição religiosa Africana do Candomblé é representada pelo poder ancestral feminino Iyá-mi-Osorongá (minha mãe Osorongá). Este útero eterno, matéria informe, o ventre da terra, é simbolizado pelo igbá - a cabaça que é a totalidade, o conteúdo e o continente. Primordialmente um símbolo integrador, ela é capaz de aplicar seu poder na resolução de todos os opostos." Carminha Levy
Saturday, April 09, 2011
Friday, April 08, 2011
Ser
Existe o tempo de jogar fora todas as muletas e ser. O tempo de ficar parada, em silêncio, exposta. Sem máscaras, sem trilha sonora, sem luzes piscantes, sem gestos espetaculares, sem texto ensaiado. Completamente nua e desarmada. Olhos tranqüilos diante de qualquer olhar. Corpo íntegro, peito aberto, espírito inteiro, alma viva. Plenamente presente.
Frase do meu querido Mestre Pablo
“As pessoas se confundem muito. O real é invisível. Visível são as aparências.”
Thursday, April 07, 2011
Mr. Trotsky me surpreendeu!
Conversando com Mr. Trotsky, ele me disse: “você deveria estudar Stalin”. De repente, os meus olhos cintilaram com essa nova descoberta: “Claro! A minha sombra! Você já tinha sacado isso?” E ele me respondeu: “Sim. Eu cresci com o Stalinismo, lembra? Uma das frases favoritas do meu orientador na UFRJ era: burocracia é poder”. Contente com o conselho, pensei: esse Mr. Trotsky é mesmo brilhante!
Confrontar é preciso II
Continuo com as minhas reflexões sobre “os fortes precisam aprender a manejar o chicote para se proteger contra os fracos”. Ontem, motivada pelo meu encontro com o Mr. Trotsky (sim, ele próprio!), resolvi ler sobre a sua história com Stalin. Achei um texto na internet, que transcrevo aqui. Estou cada vez mais convencida de que é preciso saber usar o chicote para impedir a ação dos ditadores que inicialmente se disfarçam de camaradas.
O patético na tragédia: político e revolucionário, unanimemente, Trotsky era considerado o mais inteligente, o melhor orador, o soldado mais corajoso, o estrategista mais clarividente, o teórico mais elaborado e erudito. No entanto, lançando mão da perfídia e dos pequenos truques típicos da mentalidade policialesca de seminarista, Stalin chega ao poder, contornando o próprio testamento político de Lênin.
Mas a sombra do talento formidável do adversário corrói o ego teatrológico de Stalin. A síndrome persecutória advinha o pesadelo de uma rede trotskista que o envolve. Stalin mata em Trotsky sua parte idealizada, como em geral, castramos pela ação ou omissão, em algum objeto interior que nos inquieta.”
Jacob Pinheiro Goldberg, Psicologia da Agressividade.
Wednesday, April 06, 2011
Confrontar é preciso!
Que bela lição você acaba de me dar, meu querido Zorro, que o chicote é apenas um instrumento. Sendo assim, ele pode e deve ser usado para fazer justiça ao vil chicote que recai sobre as pessoas de bem. Que os homens de grande caráter tenham a sua coragem: a de pegar o chicote e confrontar os homens de caráter fraco que tentam escravizar a liberdade. Que tentam domar a verdadeira potência da vida através de seus protocolos, regras e discursos de rebanho sobre o “certo e o errado”. Como disse Nietzsche, “É preciso proteger os fortes contra os fracos”.
Tuesday, April 05, 2011
Homem
Sempre apareciam vários, porém, ela não dava a mínima. Queria ele. Na verdade, não ele propriamente, mas ele próprio. O seu cheiro impregnante, o seu beijo quente, a sua energia excessivamente masculina. Certamente errado ou erradamente certo, ela queria ele.
Pulsando
A morte pulsa em mim
A vida pulsa em mim
Fluindo inteira
Sem contradições
Tudo pulsa em mim
Na harmonia dos opostos
Eu pulso
O Tempo do Útero
Caminho de Santiago, 07/09.
O tempo do útero grudou em mim, um tempo em que nada precisa
ser feito, cumprido, fiscalizado. Um tempo que corre solto, frouxo, leve,
livre. Não se pode acelerar, nem
pedir que seja mais devagar. Porque o tempo do útero só corre no ritmo dele e
em nenhum outro mais. Nenhuma pressão externa pode alterá-lo. Nenhuma
tecnologia ultra-moderna, desespero com ou sem causa, conversa articulada ou fiada
pode influenciá-lo. É um tempo interno, imune aos gráficos de controle, às
metas de performance, aos prazos determinados. É um tempo que perdoa todos os
julgamentos, culpas, frustrações. É o tempo das frutas, das plantas, dos
insetos, da preguiça gostosa, do
andar arrastado, do carinho sem pressa, do cafuné. Do banho de mar quando o sol
se despede e a lua desponta. Da
aceitação, do acolhimento, da entrega. Foi este o tempo que se aconchegou em
mim, um tempo sem início, meio ou fim.
Morrer é preciso
Como é difícil deixar o velho partir para que o novo entre. O velho vício da dominação, da perfeição, da idealização, da manipulação, da ilusão. Quanto “ão”. Quanto desejo de poder e de controle! Quanta prepotência! Morte ao que me suga, ao que me consome, ao que me acorrenta. Ceifador, venha! Quebre as minhas pernas, arranque todas as minhas cascas, corte o meu passado que me condena. Mostre-me que eu não sou nada! Que eu não sou ninguém! Que eu sou um poço antigo que apenas acumulou lodo, lama e sujeira. Acene-me com a liberdade das cachoeiras. Com a alegria dos que transcenderam e podem voar.
Monday, April 04, 2011
Agora é por minha conta e risco
“Fomos educados e criados na base do poder. Usamos o poder quando não sabemos que o estamos usando, e falo até daquelas pessoas que querem fazer o bem. Isso pode acontecer na psicoterapia, com os terapeutas que querem fazer o bem e têm uma imagem do que seus clientes devem vir a ser. Acham que estão motivados pelo amor quando dizem aos seus clientes o que fazer. Mas isso é poder, não é amor. Não sabemos qual o destino da outra pessoa.” Marion Woodman
Eu queria ser uma lagarta, seria mais fácil.
Eu já sei que absolutamente ninguém vai poder fazer a minha transformação por mim, mas eu continuo insistindo em delegar essa responsabilidade. Meu Deus, será que um dia eu vou finalmente captar? Quantos golpes mais até eu aprender a única coisa que eu realmente preciso aprender: que depende unicamente de mim? Depende de eu parar de me esforçar, confiar e me entregar? Até as lagartas já aprenderam essa lição básica e eu continuo procurando alguém que irá me salvar. Acorda, Alice! Nenhum amigo, livro, guru, terapeuta, lugar, curso, astrólogo, Pai de Santo, pajé, ser extra-terrestre vai fazer isso por você. E se você vacilar, eles podem até destruir o casulo. Você está sozinha nessa. Encare isso! Você precisa fazer o que ninguém pode fazer por você: enxergar a sua verdade nua e crua. Ninguém vai poder viver no seu corpo e na sua alma. Ninguém pode sofrer ou sonhar por você.
"Você tem de seguir suas próprias imagens. É a única maneira de descobrir quem você é." Marion Woodman
Em terra de cegos
Essa é a praga que vivemos hoje. Acometidos de total cegueira, todos nós seguimos rastejando e pedindo: olhe para mim. Um cego pedindo a outro cego: olhe para mim. E na escuridão continuamos. Desamparados continuamos. Continuamos totalmente cegos. E alguns auto-intitulados visionários, também cegos, saem manipulando e cobrando: "eu vejo a luz. Olhe para mim. Reconheça que eu vejo".
Selvagem
Hoje eu vou me mudar para o fim do mundo ou para qualquer lugar ermo onde não viva ninguém. Um lugar onde ninguém me veja, me analise, me questione, me critique, me diga não. Um lugar onde ninguém me elogie, me idealize, me mande flores. Ninguém diga quem eu devo ser ou o que devo fazer. Que eu acorde quando eu queira, berre quando eu queira, coma quando eu queira. Que eu faça absolutamente nada, se assim eu quiser. Sem relógio, sem calendário, sem profecias sobre o apocalipse e sem as pragas dos que sentem inveja. Serei invisível, esquecida, amaldiçoada apenas por Deus. As minhas únicas testemunhas serão as estrelas, as rosas e os pássaros. A natureza que se confunde com a minha natureza. Amanhã eu posso até mudar de idéia, mas hoje eu me transporto, sem ticket de volta, para a Patilândia e as pessoas que se danem!
Palhaça! Você realmente merece um nariz de borracha.
Eu digo: eu quero sentir o sentir. Belo discurso. Quando a dor vem, eu mudo de idéia. Já não quero sentir mais. Porque quando sinto no meu corpo as pessoas gargalhando de mim, eu paro de respirar. Sou tomada por vergonha, raiva, aflição. Esses sentimentos não! Esses não! Não quero sentir. Paraliso, analiso, questiono. Reflito: como fugir? E, enquanto todos riem da minha cara, os pensamentos pipocam na minha cabeça. Pergunto: por que eu? Internamente um só comando: vocês que estão debochando de mim, parem de me afetar dessa forma! Eu me recuso a passar por essas sensações. Ouviram? Eu quero aplausos. Não foi esse sentimento que eu planejei. Não era isso que eu queria quando falei que queria sentir. Entenderam? Vocês são todos idiotas e eu não vou mais me expor desse jeito. Eu vou para outro lugar, outro momento, outro público. Lá onde deve existir o sentimento que eu fantasiei. Lá onde deve existir os momentos que eu idealizei. Lá. Com certeza lá. Porque aqui os sentimentos que acontecem não servem. Aqui eu não quero sentir. Só lá.
É.
"Você se dispõe a ser sugada por uma esponja, apagada, cancelada, tornada nada, afundada no esquecimento? Caso você não se disponha, você nunca realmente mudará.” D.H. Lawrence para Marion Woodman
Só isso que me importa: a metamorfose. Só isso. Senão nada nunca realmente mudará. "When you ain't got nothing, you got nothing to lose/ You're invisible now, you got no secrets to conceal. How does it feel/ To be on your own/ With no direction home/ Like a complete Unknown/Like a rolling stone?"
Sunday, April 03, 2011
On a magic carpet ride
"I'm like a shooting star
I've come so far
I can't go back to where I used to be"
Palhaça!
Foi assim, ele olhou para mim e perguntou: "você pode fazer um strip-tease?" Completamente surpresa, retruquei: com essa roupa de palhaça? Diante do aceno positivo, coloquei o nariz de borracha e, sem chão, me virei para o público. Enquanto eu tentava maliciosamente tirar a roupa estilo pateta, as pessoas gargalhavam do meu ser ridículo. Sem muita opção, eu me entreguei ao vexame e acabei rindo de mim mesma. Êta vida de clown!
Saturday, April 02, 2011
A praga do politicamente correto III
Estava eu no aeroporto quando o atendente chamou para entrar no avião as pessoas da “melhor idade”. Pensei: o politicamente correto vai nos idiotizar.
A praga do politicamente correto II
Há muito tempo atrás, um ex-chefe meu mudou o nome do departamento de Recursos Humanos para departamento de Seres Humanos. Como se diz na Bahia, você vai achar que é culhuda, mas aconteceu mesmo.
Alegria de Erê!
Foi no sábado passado que eu conheci a Rosinha, menina muito sapeca. Quando a vi pela primeira vez, estava sentada feliz numa cadeira grande e confortável que ficava lá em cima, no topo da escadaria. Linda e sorridente, parecia bastante apropriada de seu lugar, o que me fez subir os degraus e me aproximar. Ela não me deu muita bola. Entretia-se consigo mesma. Meio sem jeito, perguntei: “Rosinha, você quer brincar de quê?” Ela me encarou de forma doce e, sem se fazer de rogada, respondeu: “de menina”. Eu ri. Era mesmo quem eu suspeitava: a erê de Yemanjá.
“Alegria de Erê é ver a gente sambar” Carlinhos Brown
Friday, April 01, 2011
O tempo do útero
O tempo do útero bate em mim.
Lentamente pulsa.
Preguiça, preguiça, preguiça.
Imperceptível se move.
Tenuemente o tempo da Terra lateja em mim.
Thursday, March 31, 2011
O rei está nu
A mentira está com seus dias contados. A hipocrisia cai no urgir da transparência. Crianças de todas as idades desmascaram as farsas, uma a uma. E se você não acredita, aguarde, pois o seu disfarce cético também será revelado.
Nossos Inimigos
"Nossos inimigos dizem: a luta terminou.
Mas nós dizemos: ela começou.
Nossos inimigos dizem: a verdade está liquidada.
Mas nós dizemos: nós a sabemos ainda.
Nossos inimigos dizem: mesmo que ainda se conheça a verdade
ela não pode mais ser divulgada.
Mas nós a divulgamos.
É a véspera da batalha.
É a preparação de nossos quadros.
É o estudo do plano de luta.
É o dia antes da queda de nossos inimigos."
Brecht
Leia no Blog do Ale Lucas sobre a Servidão Voluntária.
Wednesday, March 30, 2011
Batman me beijou!
Universo, você é engraçado. Por que será que você sempre fala comigo através de metáforas? Bem, agora eu entendi a frase: decifra-me ou devoro-te! Danadinho você! Entretanto, de que vale eu lhe decodificar, se no final você vai me devorar do mesmo jeito? Mais uma pegadinha sua! Você, hein?! Sempre alimentando a minha fome pelo seu mistério.
Batman, o Cavaleiro das Trevas, não é um escolhido divino, posto não ser filho de um deus, mas de pais mortais. Ele se autoproclama escolhido face ao drama vivido na infância que o inspira a lutar pela justiça na sociedade. Assumindo a sombra, a noite é sua aliada. Sua principal arma não é a força, mas sim a sabedoria.
Tuesday, March 29, 2011
Untitled
Chapada, jan 2011.
Meu Deus, são tantas teorias. Compêndios e compêndios sobre. Sobre a felicidade, sobre a tristeza, sobre o amor, sobre o medo, a tranqüilidade. Chega! Eu não quero mais nada sobre. Eu quero sentir o sentir. Eu quero o real. Quero nele perceber o quanto a palavra é limitada, rasa e pouca. Palavras apenas! O essencial é silencioso e inominável. Ele dispensa hipóteses, argumentações, teses. Ele transcende as doutrinas. Da mesma forma que uma gargalhada incontrolável ultrapassa as explicações sobre nós mesmos. Numa risada desmedida, que vem do fundo da alma, jamais paramos no meio e teorizamos: gostou? Tá faltando alguma coisa? Como posso melhorar o meu desempenho? Nós não fazemos isso porque quando gargalhamos do fundo da nossa potência, de forma real e verdadeira, as teorias sobre “como gargalhar melhor” não nos interessa. A opinião e o reconhecimento do outro são irrelevantes. As críticas inúteis. A verdade nos alimenta e nos dá um rumo. Deus, por isso, eu só lhe peço uma coisa: sentir o sentir. Sentir todos os bons e maus arrepios para que a minha vida não passe em branco. Para que a minha vida não seja um sorriso sintético, fabricado, científico. Por favor, afaste-me dos ilusórios manuais e permita-me sentir. Dai-me sempre o afeto do imprevisível sentimento.
Sunday, March 27, 2011
Governo, vai se posicionar quando?
Viva a liberdade de expressão! A minha, a sua, a do Caetano e a deste cara do vídeo! A pergunta que fica é sempre a mesma: e aí, MinC, vai tudo acabar em pizza?
Caetano Veloso sai em defesa de Maria Bethânia na polêmica sobre o blog.
Generosidade
Quinze anos depois, ela recebeu um e-mail dele. Intrigada, leu as breves linhas: "Gostaria que você soubesse que eu lhe perdoei por todas as suas mentiras. Espero sinceramente que você também tenha se perdoado por elas. Ninguém merece carregar o peso de tanta culpa. É exaustivo demais". Surpresa, ela releu várias vezes a mensagem, sempre evitando o vazio que lhe vinha. Sem pressa, fechou a tela do computador e, também sem pressa, fixou seu olhar na parede branca. Por alguns segundos, cogitou responder, mas logo percebeu que o cansaço lhe impedia. Numa grande tristeza, constatou que, tanto tempo depois, as suas falhas repetitivas continuavam imperdoáveis dentro dela. E de novo, olhou a parede, sem olhar a parede.
Saturday, March 26, 2011
Ninguém muda ninguém, ninguém ensina nada a ninguém, ninguém ajuda ninguém. Toda pretensão contrária é mero arroubo de prepotência e dominação. É acreditar que existe uma lei dos mais fortes sobre os mais fracos. É um lamentável jogo de poder, daqueles que se auto-proclamam fortes e daqueles que se deixam induzir por este discurso falacioso.
Desapego, gruda em mim?
Desapego, ai como eu queria você e eu num grude só. Já pensou, nós dois colados, embrenhados, juntinhos? Que tal?
Certified Copy
"Muitos consideram que na vida é preciso estabelecer uma meta para encontrar o sucesso, mas eu não acredito que funcione dessa maneira. Talvez no mundo dos negócios ou no âmbito científico. Na arte, ao contrário, o aperfeiçoamento só pode surgir da inadequação. Pensamos ser inadequados, não bastante bons, e nos esforçamos para fazer algo diferente." Abas Kiarostami
"The whole purpose of life is to have fun"
"The whole purpose of life is to have fun"
Thursday, March 24, 2011
Wednesday, March 23, 2011
Banco Imobiliário
Já indo embora, ela foi bem clara com ele: “a minha vida não é Banco Imobiliário. Tô de saco cheio de você se fazer de bonzinho e querer me acudir apenas para receber algo em troca. Que tipo de amor é esse que impõe cláusulas de pagamento? Moeda afetiva? Tô fora! Eu não tenho mais nenhuma vontade de contrair débitos emocionais. Eu sei exatamente onde essa dívida vai dar. Saco sem fundo. Quer saber? Na contramão do que se prega hoje em dia, tô a fim mesmo é de defender o egoísmo e jogar pedra neste pseudo altruísmo. Cansei das pessoas que ajudam e depois ficam cobrando juros absurdos.”
Classificados
PROCURA-SE AMIG@S-GÊME@S PARA REVOLUCIONAR O MUNDO... E DAR BOAS RISADAS!
- Vontade genuína de se transformar e transformar o mundo.
- Ser rebelde, inquieto e se recusar a se submeter ao domínio de supostas figuras de autoridade.
- Um desejo sincero de assumir o seu valor pessoal através do eu criativo e espiritual, ao invés de colocar o seu valor no sucesso material.
- Uma vontade real de expressar a sua essência e permanecer verdadeiro a quem se realmente é.
- Um forte senso de que estamos aqui por um motivo e não apenas para passar o tempo.
- Aceitar quem eu sou e não querer me mudar (pode deixar que eu ando fazendo esse trabalho de mudança por mim mesma; apenas confie em mim).
Caso haja interesse, favor contactar o meu coração através de telepatia. Foto só se for da aura ;)
Tuesday, March 22, 2011
Monday, March 21, 2011
Uma carta para Siddartha
Meu querido e iluminado mestre Siddhartha,
Antes de mais nada, quero expressar aqui a minha mais profunda admiração por você. Os seus ensinamentos são uma eterna fonte de aprendizado para mim. Inclusive, foi um deles que me inspirou a lhe escrever esta modesta cartinha: “Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo".
Sendo assim, com todo respeito, eu queria lhe fazer uma pergunta. Eu gostaria de entender melhor este tal deste Caminho do Meio. Porque eu tento, tento e não consigo. Na teoria, até que vai, entretanto, não logro praticá-lo. Ou melhor, consigo, mas só de vez em quando. Eu sei que você pregou este fundamento, mas quando observo a sua própria trajetória, confesso que não vejo muito de meio termo. Desde quando abandonar a família, meditar durante sete dias seguidos debaixo de uma árvore e depois passar mais de 40 anos como asceta andarilho é um caminho do meio? Não seriam estas atitudes extremas? Qualquer um que faça isso, ainda hoje, é taxado de louco. Felizmente, penso eu, você foi um homem obstinado. Imagine se você tivesse saído do seu firme propósito e realizado tudo isso de forma moderada? Imagine se, naquela época, alguém lhe aconselhasse algo como: "Siddhartha, não seja tão extremista largando sua esposa e filho. Reflita melhor. Lembre-se que o caminho do meio é uma condição para atingirmos a felicidade maior". Tivesse você ouvido, estaríamos nós aqui sem o budismo. Que lamentável seria! No meu entender, as suas resoluções absolutamente revolucionárias é que permitiram que você deixasse um legado espiritual para a humanidade. De verdade, nada contra o Caminho do Meio. Muito pelo contrário. Em alguns momentos, necessário. Apenas sou contra estes postulados dogmáticos que pregam que este caminho é "o" certo. Por favor, me esclareça, se este comportamento for, de fato, "o" correto, o que explica você ter sido tão radical?
Enfim, Siddhartha, querido, esta é a minha dúvida. Obrigada por me ouvir. Na minha impermanência, permaneço no aguardo de sua sábia resposta.
Namastê!
Patrícia
Orgia criativa
Ela chegou para Deus e disse: "Eu quero ser fecundada pelo Espírito Santo e parir iluminação divina. Topa?"
Sunday, March 20, 2011
Duas mulheres
Ela era absurdamente imperfeita. Demente, louca, desdentada e suja, representava o oposto de tudo aquilo que ele havia imaginado. Entretanto, ela era selvagem e do seu corpo jorravam litros de êxtase. Inexplicavelmente, o seu coração batia por ela. A outra, bem diferente, era impecavelmente bela. Definitivamente, tudo o que ele havia sonhado. Todavia, em seu pedestal frio e rígido, ela permanecia absolutamente inatingível. No seu corpo hermético, o gozo era sempre postergado. Num dia qualquer, na mais pura exaustão, ele resolveu fazer a sua escolha. Sem muito refletir, optou por aquela que, mesmo cheia de falhas, prazer lhe dava. Com um passo firme, saiu de casa. No caminho, desviou da perfeita Teoria e, sem exigências, se atirou nela: a Prática. Num grande ato de amor, experimentou a vida real que ainda lhe restava.
Friday, March 18, 2011
A vida é anárquica
Chega de sublimações de qualquer ordem. Basta de domesticar a energia selvagem. Eu me nego a ouvir os ditadores do certo e do errado. Eu digo não aos generais e suas dez regras de conduta. Eu sou visceral sim. Eu tenho raiva sim. Eu sou ansiosa, inquieta e impaciente sim. Em mim corre o sangue da rebeldia. A minha alma urge revolução. O meu coração clama por liberdade. O meu espírito pede verdade. Que venham todos os sentimentos inexplicáveis e inaceitáveis. Que venham os sentimentos com toda a sua vitalidade e fúria. Eu tenho pressa de vida.
Thursday, March 17, 2011
Variações sobre o mesmo tema
Sim, vou continuar afirmando: você não me ama. Nem nunca amou ninguém. Porque a vida toda você se limitou a querer conquistar para ser amado. E quando alguém lhe ama, você abandona. Previsível, não acha? Quem quer viver de muletas, dependente do alimento que o outro lhe dá? Talvez, alguns. Você, duvido. A subordinação não lhe cai bem. Lá no fundo, a única coisa que você realmente anseia é amar. É ser nutrido pela liberdade interior que só quem é capaz de amar sente. Lá bem no fundo é isso. Mas você continua aí, às vezes mendigando comida, às vezes rejeitando, mas sem nenhuma coragem de (se) amar.
Wednesday, March 16, 2011
Rapunzel
Você me diz: eu te amo. Eu lhe digo: lave a sua boca. Quem não ama a si próprio, jamais poderá me amar. E nem amar ninguém. Quem não é inteiro, vampiro se torna. No fundo, a única coisa que você sabe que quer é que eu lhe queira. Eu já avisei: os domados não me interessam mais. Cansei de ser troféu. Aos livres, eu me entrego em silêncio e a minha nudez será recompensada, pois o vínculo incondicional é a única possibilidade que alimenta. Sendo assim, eu lhe peço: nem perca a sua lábia comigo. Escape agora, antes que o apego à conquista lhe escravize e, mesmo sem amor, você fique grudado em mim. Fique colado ao imenso desafio do inatingível, à obsessão de me seduzir.
Vontade
Eu tenho vontade de você. De você e de nenhum outro. Do seu corpo e de nenhum outro. Vontade, vontade, vontade. E se você quer saber, é por isso que eu não lhe ligo, porque tenho vontade demais. É por este mesmo motivo que também não atendo às suas chamadas, porque tenho uma vontade incontrolável. E o incontrolável é perigoso. Perigoso demais.
Tuesday, March 15, 2011
Medeia
Exausta de tanta discussão, ela disse a ele: eu aceito. Eu sou Medeia, como você afirma. Bruxa e semi-deusa, mas também cruel e vingativa. Indomável, se você prefere. Sou sim, terrivelmente complexa e contraditória. Uma heroína errante. Uma mulher amaldiçoada. É tudo verdade. Todos esses paradoxos que não se encaixam. Essa sou eu. Mas o que me move é a minha fome de amor. A minha sede de ser loucamente amada e desejada por você. A minha maior transgressão é ser sua. Faça de mim o que quiser.
Sim, eu vejo os seus erros. Os muitos erros que você cometeu. E eu também reconheço os meus vários erros, aos quais tantas vezes sucumbi. Estranhamente, agora percebo que todos eles não passavam de uma couraça sedimentada em aparências ilusórias. Mera irrealidade. Foi aí que nós nos perdemos, na superficialidade dos nossos medos fúteis e nas defesas falsas que repetidamente nos afastaram da verdade. Neste momento, que muitos classificariam de insensato, finalmente compreendo que o verdadeiro mesmo era a chama abstrata que eu enxergava em você e que você também enxergava em mim. Isto era real: este potente mistério indefinível que existia entre nós. Todo o resto, apenas máscaras da nossa covardia. Ilusões nas quais nos extraviamos.
Make new mistakes
O único erro imperdoável é a nossa incapacidade de enxergar a defesa que nos leva à repetição do erro.
Monday, March 14, 2011
Bonfim
Igreja do Bonfim, março 2011.
Ela chegou ao Bomfim quando já era quase noite e as luzes da Igreja estavam sendo apagadas. Decepcionada, suspirou: “vocês já estão fechando?” e um senhor muito distinto respondeu: “aqui fechamos tudo. Só não fechamos o coração”. Com um sorriso terno, abriu as portas do Templo para que ela pudesse entrar e fazer suas orações.
Salto quântico
Capadócia, set 09.
Estou cansada das minhas falas repetidas, dos meus textos pseudo-criativos e das minhas mais-idéias-das-mesmas. Será que um dia eu vou conseguir criar algo realmente novo, genuíno, autêntico? Será que um dia eu, ao invés de reorganizar duplicações e disfarces, vou conseguir acessar a fecundidade instintiva, os demônios mágicos, o gerador de estrelas para finalmente expressar algo, de fato, original? Será? Ai, como eu queria que o divino em mim se enfiase e por mim se manifestasse. Este sim seria um acontecimento: a transmutação de um espelho em portal. Sim! Era isso que eu queria: ser uma janela.
Sunday, March 13, 2011
Hidra
E o destino, em sonho, disse a ela: "estamos apenas lhe testando para ver se você realmente aprendeu a lição. Repetidas são as provas, pois muitas cabeças possui essa Hidra. Às vezes, mesmo cortando uma delas, duas outras surgem."
Amor Fati
Outra vez me pregastes uma peça, meu querido destino. Diga-se de passagem, a mesma. Acho até que de tão igual, idêntica. Felizmente eu, agora outra, definitivamente desigual de tão diferente, livremente aceito a tua mão que em mim pesa. Compreendo, finalmente, que fazes isso não por punição, e sim pelo amor que me tens. A mim, resta apenas agradecer. Com a fé renovada, respiro sem oposição. Confiante em ti, sigo com a certeza de que tudo o que acontece é sempre o melhor, mesmo que por alguns momentos, pior pareça.
Saturday, March 12, 2011
King Kong
Por todos os lados, ouço que a nossa sociedade está muito fálica. Pois eu ando refletindo exatamente o contrário: tenho a sensação de que o que anda em falta mesmo é percebermos que não somos castrados. É nos rebelarmos contra essa submissão generalizada. É sermos verdadeiros diante das pessoas e não nas costas. É nos posicionarmos honesta e dignamente. É assumirmos a nossa potência. É nos apropriarmos do nosso lado selvagem.
Aqui e agora
Eu cansei de viver assim, de pouquinho em pouquinho, de vez em quando ou volta e meia. Planejando qual a melhor maneira de existir e selecionando momentos, experiências, pessoas, lugares. Evitando, escolhendo, desviando. Eu quero viver por inteiro a exuberante e devastadora realidade que está na minha frente neste exato momento.
Eu quero só e somente só o real
Ninguém mais minta para mim. Por motivo nenhum. Por vingança alguma. Nem por proteção e nem por desvalimento. Eu quero a verdade. A insuportável e purulenta verdade.
EuVocê
Se, internamente, raras vezes conseguimos fazer a integração anima-animus, por que cremos que, externamente, será diferente? Eu clamo, harmonia! Eu rogo, unidade! Eu acredito, cooperação. Eu sei que existe este lugar. Eu sei.
Friday, March 11, 2011
Sinuca de bico
Meu Deus, jogue-me nos poços e nos becos de mim, pois só assim conhecerei quem eu sou por inteira. E se medo eu tiver (e terei), por favor, ignore-me! Empurre-me assim mesmo!
Foi o Gugu Keller que disse...
"Fuckability - Vivemos num mundo em que, amiúde o observo, cada vez mais as pessoas são avaliadas e consideradas apenas por seu grau de fodabilidade. Sim, fodabilidade!"
O blog dele é duca! Passa lá!
Thursday, March 10, 2011
Transformação
Tem gente que atira pérolas no lixo. Tem gente que resgata. Tem gente que joga lixo no lixo. Tem gente que recicla. Tem gente que, sem sorte, vai parar no lixo. Tem gente que joga o outro no lixo. Tem gente que se deixa ser jogado no lixo. Tem gente que mergulha no lixo. Tem gente que se vira do lixo. Tem gente que vira lixo. Tem gente que purga o lixo. Seu próprio lixo. Tem gente que ao lixo se apega. Tem gente que do lixo se liberta. Tem tanta gente. E tanto lixo. E tanta beleza, que também pode vir do lixo. De vários tipos de lixo. Mas só de um tipo de Gente: aquela que acredita no poder da transformação.
Tuesday, March 08, 2011
Re-sentir
Ele tinha um ressentimento antigo, quase tão velho quanto a sua própria idade. Ou quem sabe até, anterior à sua própria existência. Os anos se passavam, a vida passava, só não passava o ressentimento que, insistente, insistia. Em novas pessoas, em novos lugares, em novos momentos, o ressentimento ressentia. E tudo que prometia ser novo, no velho caia. Nele e no seu ressentimento, que era tão ancestral quanto a mágoa que ele tinha.
Monday, March 07, 2011
Zorro
Ela respondeu categoricamente para ele: "eu sei que você adora dramalhões mexicanos, mas vou logo lhe avisando: não me acompanhe que eu não sou novela."
Sunday, March 06, 2011
Eu vou, atrás do trio elétrico eu vou!
"Carnaval na Bahia,
oitava maravilha, nunca irei te deixar, meu amor.
Eu vou, atrás do trio elétrico vou,
dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô
Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar"
Evandro Rodriguez
Provocando Sócrates
Querido Sócrates,
Andei refletindo sobre a sua célebre frase: “só sei que nada sei” e, lamento, vou ter que discordar de você. Porque ultimamente eu ando convencida de que eu já sei muita coisa. Explico: mesmo o mundo sendo tão impermanente, e eu sendo tão caótica, eu descobri que tudo se transforma para que algumas coisas continuem iguais. Exemplo: o amor é a força que move o universo e que me move. Hoje eu sei disso. E você pode questionar, interpelar, me mostrar outros ângulos. Será em vão. Mas claro que você pode argumentar. Aliás, o cérebro é um argumento. Ou melhor, vários. Outra coisa que agora eu também já sei: a razão vai invariavelmente buscar concordar ou discordar, como estou fazendo com você neste instante. E para cada pessoa que apóia um raciocínio, sempre haverá outra a questioná-lo ou rechaçá-lo. Mas, voltando ao amor, Sócrates, o que eu também já sei, é que ele não só é como a Verdade, como ele é a própria Verdade em si. E, por favor, não me peça para eu lhe explicar porquê. Eu não conseguiria. É informulável. O convite que eu lhe faço, meu querido Sócrates, é que você pare de pensar e sinta.
Bem, era isso. Ah, só mais uma coisinha: não importa que alegação você use para me demover desta minha apropriação. Eu já sei que eu sei de muita coisa e ninguém vai conseguir me convencer, ou melhor, convencer o meu coração, do contrário. Nem você. Ou muito menos você e a sua lógica.
Beijos fraternos,
Patrícia
Carne-vale
Vestir a fantasia é uma cerimônia de metamorfose porque nela eu me permito ser outra. Colocar não a máscara de defesa, mas sim a máscara da imaginação. Celebrar a vida enquanto ela me pertence. Obrigada, mestre Viktor de Salis!
"Caso vá falar mal de mim, me chama que sei um monte de coisas horríveis a meu respeito!"
Esta semana li um texto que me fez refletir bastante. Nele, o autor dizia que não devemos contar às pessoas nossos medos íntimos e erros do passado uma vez que “tudo o que você disser poderá ser usado contra você”. Parei para pensar e, por uns bons momentos, me identifiquei bastante. Quantas vezes, em diversas relações, tanto profissional quanto pessoal, na mais pura ingenuidade, contei segredos meus e, sem esperar, vi tudo se voltar contra mim? Inúmeras.
Entretanto, refletindo um pouco mais e observando a minha trajetória nos últimos dois anos, me dei conta de que, a cada dia que passa, tenho menos segredos a serem escondidos ou que, eventualmente, podem se voltar contra mim. Cada vez mais, torno “aquilo-que-não-pode-ser-revelado” público. Como uma forma de catarse ou simplesmente por estar cansada de subterfúgios e de ter que agradar ao outro, comecei a expor publicamente as minhas falhas, angústias, medos, fracassos.
Eu nem sei explicar direito como aconteceu, mas algo internamente me moveu a querer “jogar merda no ventilador”. O “sistema de controle” que eu própria havia criado para querer ser e parecer perfeita estava me vergando de tal forma, que eu vivia completamente exausta. Precisava me livrar da minha sufocante armadura e a maneira que eu encontrei foi a de olhar cara a cara a minha sombra e vomitar as minhas maluquices internas para o mundo. Certo ou errado? Não sei. Está sendo como está sendo. Peguei um desvio, peguei um atalho? Também não sei. Só sei que a cada máscara de defesa minha que cai, me sinto mais leve. Para mim é libertador simplesmente assumir que eu sou o que posso ser, que a minha vontade de metamorfose é genuína, mas que continuo "ridícula, limitada e que só uso 10% de minha cabeça animal".
E nesta caminhada descobri o óbvio: que as pessoas que me amam, me aceitam exatamente do jeito que sou. E as que quiserem usar os meus erros contra mim, sei lá, que usem. Provavelmente farei coro com elas e assumirei que não estou acima do bem e do mal. E se elas acham que estão acima do mal, bravo para elas. Que carreguem o peso de suas próprias armaduras.
“Algumas coisas morrem com a luz. Se você puxar para fora da terra as raízes de uma árvore, elas morrerão. Elas necessitam da escuridão, elas vivem na escuridão, na escuridão está a vida delas. Assim como as raízes, o sofrimento também vive na escuridão. Exponha os seus sofrimentos e você descobrirá, eles morreram. Se você continuar escondendo-os dentro de si, eles irão permanecer seus companheiros constantes por muitas vidas. A infelicidade tem que ser expressada.” Osho
Obs: achei tão incrível o título do texto que li que resolvi usá-lo aqui descaradamente ;)
Saturday, March 05, 2011
A minha raiva tem motivo
Ela disse claramente para ele: “não, eu não vou me encaixar nas suas expectativas. E mesmo que todos achem que eu virei uma fracassada sem rumo, de uma coisa eu sei: eu não vou deixar que ninguém me controle, me jogando na cara o que é certo ou errado. Certo e errado para quem, carapálida? Eu ainda estou tentando entender que talentos tenho, mas com certeza um dos talentos que eu não possuo é o de ser subjugada. Pode, pode continuar dizendo por aí que eu pirei, que me perdi, fiquei louca, virei uma fundamentalista. Que ando cheia de raiva e revolta. Finalmente, eu penso. Este é o meu triunfo sobre essa sociedade castrada, que só fala a verdade pelas costas. Já disse pra você: eu sai da jaula e nenhum discurso, censura, reação ou vontade do outro vai me colocar lá de novo. E se você quer saber, tenho. Tenho sim raiva de você. De você e de qualquer pessoa que queira me domar. Os meus erros não são belos, mas são verdadeiramente meus. Deixe-os em paz."
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Uma raiva peculiar: "As maravilhosas qualidades como coragem, determinação e força de vontade são extensões positivas da raiva, como também a habilidade de curar." Atwater, Além das Crianças Índigo
Vale do Capão, jan 2011.
"Estou convencido, como uma criança, de que o sofrimento desaparecerá, que a comédia revoltante das contradições humanas se esvanecerá como uma lamentável miragem, como a manifestação vil da impotência mesquinha, como um átomo do espírito de Euclides; que no fim do drama, quando aparecer a harmonia eterna, uma revelação se produzirá, preciosa a ponto de enternecer todos os corações, de acalmar todas as indignações, de resgatar todos os crimes e o sangue vertido; de sorte que se poderá não só perdoar, mas justificar tudo quanto se passou sobre a terra." Dostoievski
Friday, March 04, 2011
Gol de Placa
Já sem paciência com ela, ele anunciou: “chega de papinho arrastado pra cima de mim. Quem fica correndo no gramado de um lado para o outro e perdendo tempo é time da terceira divisão. Comigo o campeonato é outro. O meu jogo é bola na rede."
Thursday, March 03, 2011
The best things in life are free
Dona Macaca chegou para o Sr. Sapiens e disse: “agora, o que nos separa é uma jaula. Quando você sair daí, me avise. Estou aqui fora, deitando e rolando. Quaquaraquaquá!”
Wednesday, March 02, 2011
Fatos da vida cotidiana
No Google, a palavra amor é mais pesquisada do que a palavra medo. Entretanto, o termo mais buscado é sexo.
Tuesday, March 01, 2011
Ela é a única realmente livre
"Uma das metáforas mais poderosas sobre a condição humana e sua relação com a liberdade é a do camelo, do leão e da criança. Ela foi empregada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche no século 19 e até hoje é utilizada para demonstrar as diferentes metamorfoses da consciência e nossa possibilidade de sermos livres. Diz ele que o homem, ao nascer, é como o camelo. É obrigado a comer, assimilar e armazenar, por um bom tempo, grande parte dos dados, histórias e ensinamentos acumulados pela humanidade ao longo de séculos. Essas informações chegam a ele por meio das orientações dos pais, professores e mestres, da convivência com seus iguais ou também por toda a produção cultural existente na sociedade: livros, filmes, arte, teatro, arquitetura, todo tipo de mídia... Ele vai ruminar, ruminar e ruminar essa quantidade enorme de dados até construir seu sistema de valores e crenças que, na maioria das vezes, já está alinhado com valores e crenças organizadas e pré-existentes sejam elas religiões, sejam elas sistemas políticos, filosofias ou doutrinas.
A maior parte da humanidade, diz Nietzsche, vive no estado de camelo. Só assimilando, aceitando, deglutindo. Ou, pior, se estapeando por causa do conteúdo engolido, isto é, por causa de suas crenças, ideologias ou religiões. Os homens-camelos não têm potencial crítico para se afastar da própria crença, analisá-la de forma isenta e descobrir seus pontos falhos ou ângulos distorcidos. Principalmente porque ela está baseada na emoção, não na razão. Por isso, para eles, de alguma forma parece impensável e sacrílego fazer essa avaliação.
Uns poucos entre os camelos chegam ao estado de leão. Normalmente, os grandes felinos se insurgem contra isso tudo que está aí, como se dizia na década de 70. Pode ser por meio da arte, como Picasso, que subverteu os cânones dos critérios artísticos aceitos até sua época (não sem antes dominá-los muito bem, por sinal). Pode ser por meio do cinema, como Ingmar Bergman, que trouxe a conflituosa realidade psicológica do ser humano para seus filmes inovadores. Ou pode ser por meio da religião. Francisco de Assis, por exemplo, foi um extraordinário leão de seu tempo.
Leões são geralmente líderes e, por isso, têm enorme influência junto aos camelos. Por isso mesmo, muitas vezes são feitos em pedacinhos por eles ou, então, por outros leões na defesa de seu território. O problema do leão é que, na maioria dos casos, ele ainda está preso ao que ele é contra. Pode dedicar sua vida e até morrer por seu ideal. Como diz o mestre espiritual Osho, que comentou a teoria de Nietzsche no livro 'Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo', a grande maioria da humanidade está empacada no estado do camelo; a minoria está empacada no estágio do leão. A maioria significa as massas; a minoria, a 'intelligentsia' (pintores, músicos, cineastas, intelectuais, escritores, uma boa parte dos pensadores...). O leão, continua Osho, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico. Já para se formar a criança é preciso uma formidável revolução interior. A criança é a pessoa que passou por uma transformação interna absolutamente radical. Ela tornou-se um outro ser, renasceu. É pós-mental e pós-egóica. O camelo vive no passado, o leão no futuro e a criança no aqui-e-agora."
Viva a nossa criança interior. Ela é a única realmente livre.
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