Eu vou escrever sobre o que eu quiser escrever. Sobre os homens instáveis e covardes que me rodeiam - que eu amo e odeio - e que são os meus espelhos. Sim, eu vou continuar escrevendo sobre as suas atitudes imaturas e fazendo de conta que a indecisão e o medo estão neles, não em mim. Eu vou continuar escrevendo sobre você, a hora que eu quiser, do jeito que eu quiser, só para me lembrar do meu escapismo, do freio de mão que eu puxei até o talo, de todos os coitos interrompidos, de todos os prazeres orgásticos que eu adiei, só porque não tive a coragem de me entregar plenamente ao fluxo incontrolável da vida.
Friday, March 16, 2012
Freio de mão
Eu vou escrever sobre o que eu quiser escrever. Sobre os homens instáveis e covardes que me rodeiam - que eu amo e odeio - e que são os meus espelhos. Sim, eu vou continuar escrevendo sobre as suas atitudes imaturas e fazendo de conta que a indecisão e o medo estão neles, não em mim. Eu vou continuar escrevendo sobre você, a hora que eu quiser, do jeito que eu quiser, só para me lembrar do meu escapismo, do freio de mão que eu puxei até o talo, de todos os coitos interrompidos, de todos os prazeres orgásticos que eu adiei, só porque não tive a coragem de me entregar plenamente ao fluxo incontrolável da vida.
Monday, March 12, 2012
Friday, March 09, 2012
Wednesday, March 07, 2012
Eu queria dar um beijo na boca de Nietzsche
Sempre quis beijar Nietzsche. Noites e noites, ficava imaginando como seria o beijo de um homem que estendeu a corda sobre o abismo e anunciou o eterno retorno. Pois bem, na semana passada, tive a honra de conhecer Friedrich Wilhelm Nietzsche pessoalmente. Recebi um convite repentino e fui assistir a uma de suas fascinantes palestras numa seleta livraria perto de casa.
No caminho, fiquei ensaiando as frases supostamente inteligentes que diria a ele, mesmo sabendo que, entre nós dois, um diálogo surpreendente não aconteceria. Pode alguém impressionar um espírito livre? Cheguei cedo e peguei um lugar na primeira fila. Aprumei-me com gosto na cadeira de madeira maciça. Durou pouco. Cinco minutos depois, julgando a mim mesma uma mulher não tão ousada, resolvi me deslocar até uma poltrona escondida no fundo.
Rapidamente o ambiente ficou lotado e ele apareceu. Não era bonito. Definitivamente não. Mas desde quando os gênios precisam ser atraentes? Bastou dizer boa noite e o meu imaginário flutuou, floresceu, flanou. Falou pouco. Falou baixo. Falou através de metáforas, obviamente. Ao final da sua breve apresentação, os convidados lançaram perguntas e discutiram o futuro da humanidade. Não me atrevi a participar. Conformei-me com uma posição de ouvinte atenta, até que uma senhora da platéia desviou do tema, fazendo uma despropositada apologia aos efeitos positivos que os livros de autoajuda geram nesta sociedade carente, devolvendo às pessoas à capacidade de superar ilusões e atuar de forma consciente e realista na esfera dos sentimentos. Não agüentei. Uma indignação me tomou o corpo e nem a minha timidez diante de Friedrich pode me deter. O elogio a receitas frívolas de felicidade em plena sessão destinada à profunda reflexão filosófica urgia ser revidado. Contestei usando um arsenal de argumentos cabais. Neste acaso providente, percebi que ele havia me notado, rindo da minha revolta desproporcionada e talvez infantil. Riu e só, nada adicionou. De minha parte, estava satisfeita, pois havia me posicionado contra a banalidade e obtido cinco segundos da atenção do meu filósofo favorito.
Após a palestra, fui até o caixa da livraria, comprei uma de suas obras e entrei na longa fila de autógrafos que pouco se movia. Quando finalmente chegou a minha vez, ele olhou para mim, pegou o livro, deu um sorriso de canto de boca, perguntou o meu nome e escreveu: Para Sofia, do olhar abismal e lúcido. Com carinho. Assinou a mensagem de forma legível e, para a minha surpresa, logo abaixo do nome, anotou o número de seu celular. Poderia esperar qualquer coisa menos que ele abrisse comigo a sua intimidade. Tampouco passou pela minha cabeça que fosse adepto dessa parafernália contemporânea e, muito menos, que eu teria acesso a uma informação pessoal. Agradeci a dedicatória e sai lisonjeada.
No dia seguinte, liguei para ele – claro! Como não ceder a Nietzsche? Em nossa breve conversa telefônica, foi simpático e logo me chamou para almoçar. Sua sugestão, que me soou peculiar, é que fossemos a um botequim de uma rua duvidosa que servia comida a quilo. Calei. Havia fantasiado Nietzsche como um homem refinado e a sua escolha me desapontou. Após um breve instante de silêncio, respondi: adoraria! Mesmo cismada com o local de encontro, tentei abstrair. Mais ainda, fui me convencendo de que os gênios são assim: usam roupas descombinadas, não se importam com primeiros encontros e esquecem a data do próprio aniversário. Sai de casa arrumada, cheirosa e otimista: será essa a minha grande chance? Já pensou, eu, euzinha, dando um beijo na boca de ninguém mais, ninguém menos do que Nietzsche?
Quando nos avistamos, apressou-se em me cumprimentar. Ao ouvir o seu olá, uma tela imagética foi projetada no meu pensamento. Nitidamente vi o Garoto Enxaqueca. Estremeci. Essa figura da MTV, por mais que fosse um desenho animado, me parecia real, bem como a lembrança daquela musiquinha estridente que irritava os ouvidos.
Juntos, caminhamos até o buffet daquele estabelecimento, digamos, módico e pragmático. Embora faltasse glamour ou romantismo, tentava enxergar o lado afirmativo de uma oportunidade singular. Comer arroz empapado com feijão queimado pode até ser banal, mas, na vida, tudo é uma questão de circunstância. Não é todos os dias que se come uma feijoada requentada com Nietzsche. Aquela era uma aventura revolucionária, conclui. Sendo assim, tentei esquecer a minha decepção romântica e focar na oportunidade da minha vida: entrar para a história como a professora de filosofia que beijou Nietzsche.
Iniciamos uma conversa e, em pouco tempo, percebi que conseguir um beijo havia deixado de ser a grande ambição histórica da minha vida. Seus gestos eram óbvios e sem graça. O seu olhar, de peixe morto, e a sua narrativa, mórbida – como lhe agradava falar sobre doenças! Comecei a me apavorar, a evitar o seu hálito critico e o seu corpo fleumático. E se ele, de rompante, me pedir um beijo? Inconcebível. Tentei abafar a escuta para bolar um plano de escape daquele self-sevice que cheirava a pastel. Comecei a ruminar como conseguir uma aspirina para a minha dor de cabeça. Nietzsche até tinha muitas qualidades, mas “pegada” decididamente não era uma delas.
Diante deste contexto bizarro, já não fazia mais a mínima diferença a percepção que ele tinha de mim. A minha única meta era me livrar dele o mais breve possível. Pensei em algumas desculpas, todas mesquinhas e sem criatividade. O seu discurso hermético me entediava. Sua língua articulava verbetes mortos. Seria grego? Pior, comecei a achá-lo um bobo. Sim, pois só um homem sem discernimento emocional prefere construir um tratado metafísico do que trocar um olhar sedutor com uma mulher. Será que ele não percebeu que o nosso almoço tinha um cunho erótico? Infrutífero. A sua verborragia já atingia a transcendência, quando finalmente saiu do discurso aforístico: um pudim de leite. A simplicidade tranqüilizou os meus ouvidos exaustos de tanta dialética. Exultante, exclamei: sim! Sim! E emendei categoricamente: podemos pedir a conta também. Espantado, perguntou: você não quer café? Só bebo café às segundas-feiras e hoje é sexta, soltei. Desapercebido do meu sarcasmo, iniciou uma discussão sobre a inutilidade das rotinas acachapantes. Interrompi sem rodeios: preciso ir embora. Concordou.
Quando a conta chegou, antecipou: como você prefere pagar? Foi a gota transbordante. Além da minha profunda decepção com o encontro, teria que dividir valores irrisórios. Onde foi parar o cavalheiro de educação clássica exemplar? Vale refeição, retruquei. Trabalhar em uma faculdade tem seus privilégios. Qual é o seu plano de saúde? Nocaute. O meu - até aquele almoço - venerado Friedrich, preferia trocar informações sobre o sistema de benefícios das instituições acadêmicas do que segurar na minha mão. A minha paixão se dissolveu. Não haveria retorno. Não, senhor! Irrevogável. Levantei apressadamente. Até um beijo no rosto seria impensável. Paguei com dinheiro. Ele, sentado, parecia alheio às minhas atitudes e desaprovações faciais. Sem atentar para a minha rebeldia feminina, perguntou: qual o valor da hora aula? Já de costas, continuei caminhando. Os livros vou vender para o Sebo do Messias, planejei. Negativo, vou doar, mais digno. Peguei um ônibus até a Av. Paulista, em busca de um lugar onde pudesse desanuviar e tomar um café. Ainda no coletivo, reli a dedicatória: “Para Sofia, do olhar abismal e lúcido. Com carinho.” E li mais uma vez e outra vez em voz alta. O real caiu verticalmente na minha cabeça perfurando a minha imaginação. Friedrich Wilhelm Nietzsche queria filosofar comigo. Só. Entrei numa livraria e perguntei: tem livro de autoajuda?
No caminho, fiquei ensaiando as frases supostamente inteligentes que diria a ele, mesmo sabendo que, entre nós dois, um diálogo surpreendente não aconteceria. Pode alguém impressionar um espírito livre? Cheguei cedo e peguei um lugar na primeira fila. Aprumei-me com gosto na cadeira de madeira maciça. Durou pouco. Cinco minutos depois, julgando a mim mesma uma mulher não tão ousada, resolvi me deslocar até uma poltrona escondida no fundo.
Rapidamente o ambiente ficou lotado e ele apareceu. Não era bonito. Definitivamente não. Mas desde quando os gênios precisam ser atraentes? Bastou dizer boa noite e o meu imaginário flutuou, floresceu, flanou. Falou pouco. Falou baixo. Falou através de metáforas, obviamente. Ao final da sua breve apresentação, os convidados lançaram perguntas e discutiram o futuro da humanidade. Não me atrevi a participar. Conformei-me com uma posição de ouvinte atenta, até que uma senhora da platéia desviou do tema, fazendo uma despropositada apologia aos efeitos positivos que os livros de autoajuda geram nesta sociedade carente, devolvendo às pessoas à capacidade de superar ilusões e atuar de forma consciente e realista na esfera dos sentimentos. Não agüentei. Uma indignação me tomou o corpo e nem a minha timidez diante de Friedrich pode me deter. O elogio a receitas frívolas de felicidade em plena sessão destinada à profunda reflexão filosófica urgia ser revidado. Contestei usando um arsenal de argumentos cabais. Neste acaso providente, percebi que ele havia me notado, rindo da minha revolta desproporcionada e talvez infantil. Riu e só, nada adicionou. De minha parte, estava satisfeita, pois havia me posicionado contra a banalidade e obtido cinco segundos da atenção do meu filósofo favorito.
Após a palestra, fui até o caixa da livraria, comprei uma de suas obras e entrei na longa fila de autógrafos que pouco se movia. Quando finalmente chegou a minha vez, ele olhou para mim, pegou o livro, deu um sorriso de canto de boca, perguntou o meu nome e escreveu: Para Sofia, do olhar abismal e lúcido. Com carinho. Assinou a mensagem de forma legível e, para a minha surpresa, logo abaixo do nome, anotou o número de seu celular. Poderia esperar qualquer coisa menos que ele abrisse comigo a sua intimidade. Tampouco passou pela minha cabeça que fosse adepto dessa parafernália contemporânea e, muito menos, que eu teria acesso a uma informação pessoal. Agradeci a dedicatória e sai lisonjeada.
No dia seguinte, liguei para ele – claro! Como não ceder a Nietzsche? Em nossa breve conversa telefônica, foi simpático e logo me chamou para almoçar. Sua sugestão, que me soou peculiar, é que fossemos a um botequim de uma rua duvidosa que servia comida a quilo. Calei. Havia fantasiado Nietzsche como um homem refinado e a sua escolha me desapontou. Após um breve instante de silêncio, respondi: adoraria! Mesmo cismada com o local de encontro, tentei abstrair. Mais ainda, fui me convencendo de que os gênios são assim: usam roupas descombinadas, não se importam com primeiros encontros e esquecem a data do próprio aniversário. Sai de casa arrumada, cheirosa e otimista: será essa a minha grande chance? Já pensou, eu, euzinha, dando um beijo na boca de ninguém mais, ninguém menos do que Nietzsche?
Quando nos avistamos, apressou-se em me cumprimentar. Ao ouvir o seu olá, uma tela imagética foi projetada no meu pensamento. Nitidamente vi o Garoto Enxaqueca. Estremeci. Essa figura da MTV, por mais que fosse um desenho animado, me parecia real, bem como a lembrança daquela musiquinha estridente que irritava os ouvidos.
Juntos, caminhamos até o buffet daquele estabelecimento, digamos, módico e pragmático. Embora faltasse glamour ou romantismo, tentava enxergar o lado afirmativo de uma oportunidade singular. Comer arroz empapado com feijão queimado pode até ser banal, mas, na vida, tudo é uma questão de circunstância. Não é todos os dias que se come uma feijoada requentada com Nietzsche. Aquela era uma aventura revolucionária, conclui. Sendo assim, tentei esquecer a minha decepção romântica e focar na oportunidade da minha vida: entrar para a história como a professora de filosofia que beijou Nietzsche.
Iniciamos uma conversa e, em pouco tempo, percebi que conseguir um beijo havia deixado de ser a grande ambição histórica da minha vida. Seus gestos eram óbvios e sem graça. O seu olhar, de peixe morto, e a sua narrativa, mórbida – como lhe agradava falar sobre doenças! Comecei a me apavorar, a evitar o seu hálito critico e o seu corpo fleumático. E se ele, de rompante, me pedir um beijo? Inconcebível. Tentei abafar a escuta para bolar um plano de escape daquele self-sevice que cheirava a pastel. Comecei a ruminar como conseguir uma aspirina para a minha dor de cabeça. Nietzsche até tinha muitas qualidades, mas “pegada” decididamente não era uma delas.
Diante deste contexto bizarro, já não fazia mais a mínima diferença a percepção que ele tinha de mim. A minha única meta era me livrar dele o mais breve possível. Pensei em algumas desculpas, todas mesquinhas e sem criatividade. O seu discurso hermético me entediava. Sua língua articulava verbetes mortos. Seria grego? Pior, comecei a achá-lo um bobo. Sim, pois só um homem sem discernimento emocional prefere construir um tratado metafísico do que trocar um olhar sedutor com uma mulher. Será que ele não percebeu que o nosso almoço tinha um cunho erótico? Infrutífero. A sua verborragia já atingia a transcendência, quando finalmente saiu do discurso aforístico: um pudim de leite. A simplicidade tranqüilizou os meus ouvidos exaustos de tanta dialética. Exultante, exclamei: sim! Sim! E emendei categoricamente: podemos pedir a conta também. Espantado, perguntou: você não quer café? Só bebo café às segundas-feiras e hoje é sexta, soltei. Desapercebido do meu sarcasmo, iniciou uma discussão sobre a inutilidade das rotinas acachapantes. Interrompi sem rodeios: preciso ir embora. Concordou.
Quando a conta chegou, antecipou: como você prefere pagar? Foi a gota transbordante. Além da minha profunda decepção com o encontro, teria que dividir valores irrisórios. Onde foi parar o cavalheiro de educação clássica exemplar? Vale refeição, retruquei. Trabalhar em uma faculdade tem seus privilégios. Qual é o seu plano de saúde? Nocaute. O meu - até aquele almoço - venerado Friedrich, preferia trocar informações sobre o sistema de benefícios das instituições acadêmicas do que segurar na minha mão. A minha paixão se dissolveu. Não haveria retorno. Não, senhor! Irrevogável. Levantei apressadamente. Até um beijo no rosto seria impensável. Paguei com dinheiro. Ele, sentado, parecia alheio às minhas atitudes e desaprovações faciais. Sem atentar para a minha rebeldia feminina, perguntou: qual o valor da hora aula? Já de costas, continuei caminhando. Os livros vou vender para o Sebo do Messias, planejei. Negativo, vou doar, mais digno. Peguei um ônibus até a Av. Paulista, em busca de um lugar onde pudesse desanuviar e tomar um café. Ainda no coletivo, reli a dedicatória: “Para Sofia, do olhar abismal e lúcido. Com carinho.” E li mais uma vez e outra vez em voz alta. O real caiu verticalmente na minha cabeça perfurando a minha imaginação. Friedrich Wilhelm Nietzsche queria filosofar comigo. Só. Entrei numa livraria e perguntei: tem livro de autoajuda?
Eu digo sim!
Eu giro, giro e caio sempre no mesmo lugar: aceitação. Aceitação plena de si e do outro, do aqui e agora, da luz e da sombra, do masculino e do feminino, das coisas como elas realmente são, da fantasia, da limitação e da abundância, do belo e do feio. Das infinitas contradições. Aceitação de que não existe apenas aceitação. Aceitação de que não se pode aceitar o tempo todo. De que não existe regra. Eu giro, giro, giro e aceito cada vez mais que, mesmo com toda negação, o mundo é pura afirmação.
Tuesday, March 06, 2012
Friday, March 02, 2012
Natureza Selvagem
Um dia acordei, olhei para o teto do quarto e pensei: não posso mais fingir para mim mesma. Neste instante de pura renúncia a tudo o que em mim era falso, comecei a viver.
Thursday, March 01, 2012
Acampamento II
Tinha eu e tinha você. E tinha mais todas aquelas pessoas chatas e dispensáveis que, a cada segundo, inutilmente abriam as suas bocas para emitir palavras gastas e interromper o nosso silêncio essencial.
Acampamento
Se a sua mão quente viesse, mas não vinha. Por mais que rogasse o silêncio, por mais que se esbaldasse a escuridão, por mais que o seu corpo exigisse, a sua mão paralisada não vinha.
Só até a primeira página
Você sai por aí dizendo que é livre. Porra nenhuma. É nada. Neste mundo dominado, ninguém é.
Thursday, February 16, 2012
Wednesday, February 15, 2012
O amor é subversivo
Homem, quando eu não tiver mais nenhuma utilidade para você, absolutamente nenhuma mais, e mesmo assim você ainda quiser continuar comigo, aí sim poderemos dizer que alguma coisa entre nós aconteceu.
Tome intento, mulher!
Um dia ainda perco essa minha mania de procurar no outro o que eu preciso achar em mim.
Wednesday, February 08, 2012
Uma só e mesma coisa
Só o ato criativo pode resolver o conflito da dualidade. O ato criativo e o amor que são uma só e mesma coisa.
Thursday, February 02, 2012
Sunday, January 29, 2012
No olho quântico do Big-Bang reverso
Quantas vidas, quantas pessoas, quantos lugares, quantos acontecimentos, quantas experiências, quantas faces, quantos corpos, quantos cheiros, quantos, quantas, quânticos. Quântico é o olho do Big-Bang reverso. Do furacão catalisador da existência.
Monday, January 09, 2012
Sunday, January 08, 2012
Para toda Medeia existe um Jasão
Triste fim esse
o dos Jasões e das Medeias
cujos dragões dormem e
irados acordam,
entalados com o cuspe
do jogo de poder
Tô dentro, por isso, tô fora!
A todos que querem me dizer qual é o caminho da espiritualidade, aviso: não vou ouvir. Profetas, gurus, líderes, mestres, lamento! Fechei meus ouvidos para toda e qualquer doutrina. A partir de agora e sempre, escuto apenas a minha alma, que, de lua em lua, fala. E, quando se cala, espero. Em silêncio, em ansiedade, em utopia, em entrega, em movimentos errantes, em repousos subversivos, aguardo. Longa a espera? Breve? Indiferente. Aprendi a aceitar seus termos, mesmo quando não agüento mais aceitar. Sendo assim, a todos que querem me mostrar o jeito, a forma, o método, eu informo: me esqueçam. Prefiro continuar na companhia dos loucos e dos heróis que caminham imunes às panacéias coletivas.
Tuesday, January 03, 2012
Monday, December 26, 2011
Saturday, December 24, 2011
Posso virar poço?
Deuses, queridos, tive uma idéia para 2012. Que tal se eu virasse um poço e da minha profunda escuridão começasse, espontânea e incessantemente, a jorrar vida? Não seria lindo? Claro que eu continuo com vontade de virar árvore, mas pensei que poderia dar mais algumas opções para facilitar o trabalho de vocês.
Wednesday, December 21, 2011
Para os meus alunos
Eu ando obcecada pela ideia de que precisamos ser desobedientes. Sim, desobedientes.
Comecei a analisar algumas pessoas as quais admiro e me dei conta de que todas elas cometeram esse delicioso pecado: ser desobediente.
Começo pelos exemplos mais recentes: Steve Jobs, que pensou e fez diferente, e os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, que quebraram diversos dogmas corporativos.
Porém, queria recordar alguns outros nomes que andam alimentando a minha obsessão de que desobedecer vale a pena.
Como não lembrar de Ayrton Senna, que ultrapassou os limites de velocidade e tornou-se o nosso eterno herói? Nelson Mandela, que durante toda a sua vida se recusou a obedecer a um governo hipócrita e injusto, transformando assim radicalmente a história africana. Vamos mais longe para evocar Maria Quitéria. Já em 1823, contra a vontade de seu pai, uma mulher teve a audácia de cortar os cabelos, se vestir de homem, fugir de casa e lutar pela emancipação do nosso país. John Lennon, que, contrariando a máxima de que não se mexe em time que está ganhando, rompeu com os Beatles para promover a paz.
A lista de desobedientes que nos inspiram é extensa.
Desobedecer é um aprendizado. Requer sabedoria. Requer valentia. Requer um eixo chamado dignidade. Diria até que requer um grau de heroísmo.
Evidentemente, eu não estou me referindo, aqui, ao desobedecer pelo desobedecer. Isso é chilique de criança mimada, é rebeldia sem causa de adolescente. Quem continua a desobedecer apenas por desobedecer recusou-se a virar adulto.
A desobediência a qual me refiro é, antes de mais nada, afirmativa. Ela constrói uma realidade melhor, um contexto mais reto, uma sociedade na qual temos orgulho de fazer parte. É a desobediência de quem, no meio deste tsunami de informações, regras, referências e opiniões, aprendeu a ouvir o seu coração e a sintonizar na certeza divina de que não estamos neste mundo apenas para concordar ou para discordar, mas, antes de mais nada, para contribuir com algo maior.
Acredito que aí está o carisma das pessoas excepcionais que conseguiram desobedecer afirmativamente: ter um propósito que vem do coração. Porque só o coração tem a imensa coragem de desobedecer a uma sociedade que, muitas vezes, insiste em subjugar a grandiosidade da vida.
Paulo Freire, pedagogo brasileiro, defendeu que ninguém ensina nada a ninguém, mas tampouco ninguém aprende sozinho. Aprendemos todos quando compartilhamos.
Sendo assim, era isso que eu queria compartilhar com vocês hoje: que eu ando tentando acessar a minha intuição para quem sabe, um dia, ter a coragem de ser uma grande desobediente.
Mas não se enganem, eu não quis aqui convencê-los de serem desobedientes e nem obedientes. No final das contas, a conformidade ou a inconformidade é só uma questão de perspectiva.
O que eu realmente desejo a vocês é que vocês aprendam a escutar a sua própria voz interior, pois ninguém sabe a sua fortuna. Mas o seu coração sabe. Só ele sabe.
***
Escrevi este texto para os meus alunos. Honra e gratidão por ter sido escolhida paraninfa no dia da formatura.
Cada um tem que descobrir por si só
Quem é livre deseja que o outro seja livre também. Não fica com essas idéias de ser líder, guru ou guia de ninguém. Quem é livre quer criar o seu próprio caminho e sabe que não há nenhum caminho a ser mostrado, ensinado ou apontado para ninguém.
Sociedade Patriarcal
Tomei bode de mim mesma todas as vezes em que atuei como professora ou consultora e compactuei com o engodo coletivo de que era possível ensinar, ajudar ou mostrar alguma coisa a alguém. Em todos esses momentos não havia nada mais do que um ego autoritário emitindo um subtexto: vejam como eu sei.
“Ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. Os homens se educam entre si mediados pelo mundo.” Paulo Freire
Sunday, December 18, 2011
Milagres existem
Há algum tempo atrás, tive o seguinte sonho: estava numa cadeira de rodas e uma pessoa completamente desconhecida chegou perto de mim e me perguntou: “por que você insiste em usar essa cadeira, se você consegue caminhar?”. Essa semana refleti muito sobre isso, sobre a paralisia generalizada que se instaurou na nossa sociedade. Sim, além de cegos, como bem descreveu Saramago em seu livro "Ensaio sobre a Cegueira", somos pessoas que nasceram com duas pernas, mas insistimos em usar muletas, principalmente os relacionamentos como muleta. Como tudo, ou quase tudo, de alguma forma já foi dito na Bíblia, não foi à toa que Jesus fez um cego ver e um paralítico andar. Esses são os milagres da vida, quando finalmente somos capazes de enxergar e andar com os nossos próprios olhos e pernas. Tenho feito um exercício tremendo para fortalecer as minhas pernas e finalmente conseguir andar sem muletas. E também para não ser mais muleta de ninguém. É difícil, a inércia é enorme. Mas continuo acreditando que milagres existem.
Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher
Essas frases impregnam a gente. Mesmo sem querer, já estamos, de novo, neste lugar. Aí o jogo não termina nunca. Uma mulher que se doa sempre cobrando, um homem dependente sempre devendo. Canseira danada dessas prisões-comuns e de tentar resignificar essas grades para ver se eu finalmente me liberto.
Saturday, December 17, 2011
“Deixa pra lá, eu continuo viajando”
Estou tentando transformar a minha decepção e a minha raiva em poesia, mas me dei conta de que não consigo fazer rap.
Previsão 2012
De nada vai adiantar você tentar impedir as mudanças que, há anos, batem à sua porta. Repito: nada. Em 2012 não vai sobrar pedra sobre pedra na sua vida, nem para contar história. E tenho dito.
É tão simples
Você só precisava assumir o seu poder pessoal. Só. Mesmo que fosse difícil, era simples. Era isso. Mas você duvidou. Na verdade, você continua duvidando. Você não acredita. Pena! Porque o seu coração sabe. Lá no fundo, ele sabe que existe uma força muito poderosa em você.
Friday, December 16, 2011
Começando de novo
Deixando para trás tudo e todos que tenham como objetivo impedir as manifestações autênticas e naturais da vida.
Preciso de abrigo
Preciso de abrigo dos desumanos, dos homens-máquinas, dos ditadores infames, dos castradores de natureza, dos robôs autoritários, dos capangas da mediocridade, dos covardes pessimistas, dos escapistas rosados, dos medrosos compulsivos, dos sedutores viciados, dos defensores da hipocrisia, dos serial killers da imaginação, dos inimigos da vida. Natureza real e viva, essência criadora e infinita, radiância de amor, me ampara?
Thursday, December 15, 2011
Refúgio II
Coração meu, você pode me proteger deste mundo devastado e me colocar no colo quente e macio da criação?
Refúgio
Coração meu, me tira desta carnificina que é o jogo de poder e me coloca no eixo criador da vida?
Wednesday, December 14, 2011
Visão
Você me pede uma explicação? Não tem como explicar. Simples assim, não tem. É uma questão de ver. Ou você vê ou você não vê. E se você ignora e me ignora apenas porque o que eu enxergo ainda não é palpável e nem concreto para você, tudo bem, estou só de novo. Na verdade, não é bem tudo bem porque eu me sinto péssima por não ter mais com quem dividir os meus delírios. Mas se tem que ser assim, no final das contas, é tudo bem porque eu não consigo deixar de sonhar. E desta vez, nem tentar lhe mostrar mais eu vou. Resignei. Quanto à isso, resignei. E juro que não vou olhar para trás, senão engesso que nem você e acabo virando estátua.
Tuesday, December 13, 2011
Eu quero renascer rosa
O bom mesmo é ser rosa. Vem a chuva, vem o vento, vem o sol e ela ali, serena, rosa. Sem nenhuma ansiedade, sem nenhuma expectativa, sem nenhum julgamento, apenas rosa. Quando aparecem os brutos, os desavisados, os maléficos, ela, confiante nos seus espinhos, continua a ser a mesma, rosa. Sem nenhum pudor de viver completamente nua, a rosa é sempre rosa. Sem medo do seu destino e íntegra na sua existência efêmera, linda e digna, rosa.
Sunday, December 11, 2011
Saturday, December 10, 2011
Coragem de ser livre
Rapunzel, que nós sempre tenhamos a mesma coragem que você teve: romper com os laços de dependência com todos e tudo que nos aprisiona, nos suga e nos oprime.
É da minha natureza
Foucault, muito obrigada! Demorei muito tempo para entender que a minha incessante busca para descobrir quem eu sou, nada mais é do que a minha vontade visceral de acessar e manifestar a minha força criativa.
"Devemos não somente nos defender, mas também nos afirmar, e nos afirmar não somente enquanto identidades, mas enquanto força criativa." Foucault
Vale do Capão, jan 2011.
Friday, December 09, 2011
Bruxa, eu quero que você se dane!
Sabe quando a Bruxa Má vai admitir que a Branca de Neve é bonita? Nunca! Sabe quando a Bruxa Má vai querer que a Rapunzel seja livre? Nunca! Sabe quando a Bruxa Má vai deixar que Joãozinho e Maria se divirtam? Nunca! Por isso, é inútil argumentar ou tentar chegar a um acordo com a Bruxa Má. É pura perda de tempo. A única coisa a ser feita é tirá-la do caminho. Só.
A única palavra a ser dita é: basta!
Olha só, você acha que dá para ficar de conversinha com a Bruxa Má? O único objetivo dela é que você coma a maçã envenenada ou, então, que você sucumba na torre. Se liga! Enquanto você fica aí conversando, ela, astutamente, lhe prende numa gaiola para que você faça trabalho forçado e implore por comida. Dê logo um tapa na cara dela e vá embora. Ou você ainda tem a esperança de que a Bruxa Má vai, um dia, lhe entender?
Use the force, Luke!
Eu fico indignada com as pessoas do bem que, merecidamente, receberam o direito de usar a espada, mas, ao invés disso, preferem conduzir conversas longas e explicativas com as pessoas prepotentes, manipulativas e opressoras. Depois, quando são apunhalados pelas costas, se surpreendem e se vitimizam. Digo logo, tenho pena não. Quem mandou ser covarde e ter medo de usar o sabre? Que eu saiba, Luke Skywalker não fica de papinho com Darth Vader e já sabe, de antemão, que é inútil tentar negociar com ele.
É sempre a mesma dupla
É triste constatar que, não importa o lugar, os prepotentes sempre fazem dupla com os covardes.
Thursday, December 08, 2011
Salto de Fé
Incinerei completamente o passado e aceitei que eu definitivamente não tenho como prever o futuro. Agora, só me restou uma coisa: confiar no meu coração.
Tuesday, December 06, 2011
Ogros não combinam com rosas
Odeio os ogros. Eles sempre machucam as rosas, por mais espinhos de defesa que elas tenham.
Sunday, December 04, 2011
Ira
Se até Deus mostra a sua ira, quem sou eu para não mostrar a minha? Sim, Iansã, continue baixando em mim e me dando força para que eu use a sua espada contra aqueles que viraram máquinas operacionais e querem exterminar tudo o que é humano e belo.
“Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. (Romanos 1:18)
Braveheart
Eu me sentindo a própria Iemanjá no fundo do mar, aí vem você e me diz que eu sou o avatar do Braveheart. E sabe de uma coisa? Adorei! É isso mesmo! Mais um recado enviado pelo universo para que eu continue lutando pela minha dignidade, independência e liberdade.
Saturday, December 03, 2011
Parafraseando Einstein
O mundo não está ameaçado pelas pessoas controladoras, manipuladoras, prepotentes, autoritárias, ditadoras, tirânicas e castradoras e sim pelos covardes e omissos que permitem que essas pessoas dominem o mundo. A coragem está aí, grátis para qualquer um.
Friday, December 02, 2011
Verdades Mágicas
SP, 2010.
Só e somente só o Pequeno Príncipe é capaz de ver a Rosa porque ele é o único que realmente acredita que ela existe.
Wednesday, November 30, 2011
Tuesday, November 29, 2011
Believer
SP, nov. 2011
Ontem me disseram, mais uma vez, que eu deveria ser realista com a minha utopia. Olha só, racionalmente eu até entendo essa proposta, juro que entendo. Mas vai explicar isso para o meu coraçao? Ele não entende. Ele continua acreditando na dignidade, no amor, na liberdade, na coragem, na honra, na justiça, na união dos opostos, na alquimia, nos Deuses. Por isso eu digo, eu até desisto de querer chegar no horizonte, mas ele não. Porque o meu coração, ao contrário de mim, é maleável. Por mais pancada que eu tome, ele continua pulsando. Ele até se encolhe, porém, logo em seguida, se expande de novo. Sempre acreditando na poesia.
Monday, November 28, 2011
Perfume de Mulher
Kali, obrigada! Começando a entender o seu ensinamento sobre homens que se tornam cegos e passam a seguir o perfume da intuição, enxergar muito além dos outros e agir com o coração. Já ouvimos tantas vezes, mas custamos a aprender: "o essencial é invisível aos olhos" e jamais será alcançado ou explicado por uma mente que racionaliza o mundo através de regras.
Liberdade
Mesmo que você me diga que este espaço aqui é bastante amplo, continuo pensando: humm, ampla é a natureza. Eu não saberia lhe explicar porque, mas ultimamente tenho uma perturbadora sensação de que qualquer outro lugar anda apertado demais para mim.
Independência ou morte!
Yang meu, quando você disse “ainda tenho um longo caminho até o Ipiranga”, eu pensei: tomara que não. E fiquei refletindo sobre o que me impede de finalmente gritar: independência ou morte! Talvez ainda seja o meu receio de usar a espada contra aqueles que insistem em me manipular porque não aceitam que eu tenha - e siga - o meu próprio caminho.
Sunday, November 27, 2011
Budismo, cansei de você
Eu sei que eu não deveria desejar, mas eu desejo. Eu sei que eu não deveria me apegar, mas eu me apego. Eu sei que eu deveria viver no aqui e agora, mas eu sonho. Eu sei que eu deveria seguir o caminho do meio, mas adoro a rebeldia. Eu sei que eu deveria ser disciplinada, mas o caos me atrai. Eu sei que eu deveria madrugar, mas odeio acordar cedo. Eu sei de tudo isso, eu sei. Mas o que pulsa em mim é muito maior do que todas essas técnicas de sublimação.
Luz!
Depois de ter sido tocada por sucessivas sombras, fala pra mim que agora é a sua vez. Sol, vem!
Saturday, November 26, 2011
Você não sabe mais do que eu
Sabe o que eu mais detesto em você? Esse seu ar de onisciência, como se você conhecesse tudo, visse tudo, adivinhasse tudo. Ninguém sabe qual o destino do outro. Ninguém, entendeu? Nem o seu destino você sabe, então pare de dizer que você sabe o meu.
Kali passou por aqui
Mulher, não te apiedes dos que te miram como ser inatingível. Sem temor, fure os olhos de todos aqueles que jamais ousaram sair dos seus postos confortáveis de meninos mimados. Enquanto o sangue jorra, siga tranqüila, pois condenados à escuridão, eles serão forçados a olhar para dentro e agir com o coração.
Friday, November 25, 2011
Mais uma vez você quebrou as minhas pernas.
Universo, quando eu pensei que havia detectado uma determinada lógica no seu funcionamento, vem você e me mostra a inutilidade da minha prepotência. Apesar de toda a minha burrice, insistência e rebeldia, agora eu captei que você manda em mim e que a única coisa que eu posso fazer é confiar, relaxar, entregar e aceitar. Ter fé e nada mais. Juro que entendido está. Mas cadê coragem para sair do discurso e do controle e deixar tudo nas suas mãos?
Thursday, November 24, 2011
Encontro com Kali
Kali, eu sei que é chato ficar questionando isso, ou melhor, é infantil, mas já que você apareceu, eu queria lhe perguntar uma coisa: falta muito?
Por que?
Inanna chegou perto de mim e disse: não questione os ritos do mundo invisível. Aceite todas as sentenças.
Me deixa!
Passado, pode me fazer um favor? Larga do meu pé! Não tenho mais tempo a perder com peso morto.
Wednesday, November 23, 2011
Past Tense
Lembrei daquele dia em que você tirou as tais fotografias, em que eu aparecia inteira, porém coberta de nuvens. Da cama eu sentia o seu desejo, da sua lente você focava o meu corpo. Foi tudo tão inédito. Mas agora passou: você, as fotos e o meu querer. Sim, o meu querer por você datou. Olho para trás e vejo um tempo muito remoto. Mesmo que você ainda tenha as fotos, mesmo que eu ainda lembre deste momento, mesmo que você ainda insista, o passado nos engoliu dizendo: acabou. O meu corpo? Ficou. Livre ficou. Sem nuvens ficou. Dançando com a Lua, no infinito, perto do Sol, estou. O seu corpo? Não sei. Talvez o Minotauro acabe com ele. É, acho que este seria um fim apropriado para você: se perder no labirinto e ser devorado pelo monstro. Quando você encontrá-lo, mande lembranças. Diga pra ele que o melhor do instinto é a mágica que acontece fora do pensamento. Tenho certeza de que neste instante fatal, você, encurralado, irá recordar da inútil vontade que você tinha de me manipular e do seu medo de se entregar ao que não tem início, nem meio e nem fim.
Ego
Desde que você me disse que eu sou a sua musa, eu ando me perguntando o seguinte: ser musa serve pra quê? Desculpe a minha insensibilidade, mas resolvi ignorar o seu ponto de vista e assumir o meu.
Tuesday, November 22, 2011
Horizonte
Quer saber? Deve ser o inexplicável que vira e mexe vem e, sem pedir licença, toma conta do meu corpo, do seu corpo. É a utopia, o sonho, a loucura. A avassaladora vontade de se jogar porque, lá no fundo, eu sei que a imensidão, por mais que neguem, foi prometida a você e a mim. A nós e a todos aqueles que resistiram e jamais, jamais desistiram de acreditar que é possível voar e ser feliz.
Saturday, November 19, 2011
Friday, November 18, 2011
Acordei pensando no Osho: “The child needs your love. Not your help.”
E disse a mim mesma: não comece pela criança. Não comece pelo outro. Comece por você. Aprenda por você. Faça por você. Sonhe por você. Queira por você. Seja por você. Ame por você. Ria por você. Chore por você. Grite por você. Dance por você. Só podemos dar aquilo que temos. Ame-se, por você. E quando você for puro amor, você, sem nem se dar conta, já será puro amor para o outro.
Osho
Parafraseando Clarice Lispector
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a perguntar...
Wednesday, November 16, 2011
Da minha liberdade cuido eu
Eu ando de saco cheio dessas suas previsões de que eu vou morrer pobre e na solidão. Desde quando Deus lhe autorizou a tomar o lugar dele?
O meu chão escolho eu
Cansei de pisar em ovos turvos com você. Agora os meus pés exigem a firmeza da terra batida e o prazer dos lugares ensolarados.
Chega!
Hoje alguém me disse que eu deveria, mais uma vez, compreender os seus surtos prepotentes de “tem-que-ser-do-meu-jeito”. Ignorei porque a minha vontade mesmo é a de calar o seu calundu com um soco. Sim, às vezes é necessário. Tardiamente descobri que dar um soco em alguém pode ser um grande ato de amor. Egoísta, talvez. Mas, sem dúvida, um ato de amor próprio.
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