Tuesday, June 21, 2011

Sumiço II


Pena que a manhã lhe raptou e, quando você voltou, a lua já tinha me carregado.

Sumiço


Pena que o amanhecer chegou rápido demais levando as palavras noturnas que estavam entre a sua boca e a minha.


Nem mais, nem menos. Apenas o meu.


Eu disse e reafirmo: não entro mais em nenhum jogo de poder, manipulação ou dominação. Nem tampouco em subterfúgios, choramingos ou vitimizações. Ocupar o meu lugar a mim me basta. 

Superioridade espiritual - não engulo!


Eu ando sem saco para pessoas que acreditam que estão acima da raiva, da inveja, do ciúme e de outros tantos sentimentos como se elas tivessem atingido um patamar privilegiado em relação aos “pobres coitados” que se deixam levar por essas sensações “menores”. E a isso elas ainda chamam de consciência espiritual. Sabe como eu chamo isso? Arrogância. Mas nada como um dia atrás do outro. A revolta do id contra o superego pode até tardar, mas não falha. Ninguém está acima do bem e do mal.

Monday, June 20, 2011


Eu ando desandando.


Ser rosa sem espinhos... você entende que essa opção é inexistente?

Sunday, June 19, 2011


Cansei de mim. Se eu me namorasse, já teria terminado comigo há muito tempo.

O Universo é pura provocação


O Universo vive me provocando e quando eu tento despistá-lo, ele sempre me acha. Já tentei convencê-lo de que amadureci muito e que agora já sou capaz de conduzir a minha própria vida sozinha, mas a sua resposta é sempre simples e direta: “você não se governa”. Ontem, de saco cheio de seus inúmeros desafios e testes cotidianos, tive um conversa séria com ele: “Universo, querido, por favor, me entenda. Cansei de me expor ao novo. Deixe-me ficar sossegada nas minhas velhas e seguras experiências.” Sem se fazer de rogado, ele apenas riu e respondeu cheio de graça: “pare de resmungar, mulher! Eu já te avisei! Confie. Continue mesmo sem saber aonde tudo isso vai dar. O seu destino precisa ser cumprido”.


Saturday, June 18, 2011

A sustentável leveza do ser

Naquele dia, quando entrou no carro dele, ela estava feliz. Ele a abraçou longamente e, a partir deste instante, ela não parou mais de se sentir como, em suma, todas as pessoas deveriam se sentir: leve. Entrou neste estado e lá permaneceu. Ele a olhava com curiosidade. Tudo nela parecia fluir. Ela o olhava com ternura. Pressentia no jeito dele o distanciamento de quem precisa planejar as palavras com cuidado. Conhecia isso, o esconderijo dos que se sentem vulneráveis e não podem ser descobertos. Ela via, mas não refletia sobre e nem julgava. Não queria. Este lugar lhe era familiar e ter ciência disso bastava. Talvez até fosse sensato tentar entender o motivo específico pelo qual ele sempre buscava a palavra certa. Talvez. Mas ela não conseguia ou nem precisava. Depois daquele abraço, esta defesa tornara-se desnecessária, já que ela passou a ter a tranqüilidade das pessoas destituídas de finalidade que aceitam ser usadas. Usada pra quê, ela não sabia exatamente, mas não importava. Ele, por sua vez, reforçava as suas artimanhas para impressioná-la; traçava estratégias mirabolantes. Ela escorria. Estava derretida por ele, não por sua astúcia, ou lábia ou elogios. Simplesmente pela alquimia. Ele, concentrado, prosseguia se esforçando para que ela o achasse incrível, sem saber que ela já achava isso desde o primeiro instante em que se conheceram, semanas antes, quando ele, conscientemente, foi em sua direção, sentou ao lado dela e eles se olharam. Foi assim para ela, mas, naquele momento, ele não atinava. Estava ocupado demais com o seu objetivo e, por isso, continuava fazendo de tudo para que ela gostasse dele. Empolgada, a noite passava. Só não passava a leveza que existia dentro dela. E o observador que existia dentro dele. De mãos dadas, os dois ligados seguiam. Ele a estudava. Ela Sorria. Ele procurava decifrar. Ela sentia. Por mais que ele a investigasse, ela só sentia. Por mais que ele a analisasse, ela, exonerada do pensar, só existia. Porque naquele dia, quando ela entrou no carro dele, algo inusitado aconteceu.  Sabe uma daquelas coisas que ocorrem uma vez em um milhão? Exatamente esta. Inesperadamente, naquele longo abraço, ela compreendeu o que nunca antes havia captado: a quadratura do círculo. E, por esta razão, mesmo que ele insistisse em seu quadrado papel de observador, ela, leve e maravilhada, circulava.

Friday, June 17, 2011

Sim, você.


Você se esconde. Não, mentira, você se exclui. Esconderijo é para quem tem medo. Você se auto-sabota, é diferente.

Metamorfose


Quem dera eu nascer nuvem e morrer estrela numa galáxia secreta ou perdida que jamais poderá ser vista a olho nu.

Golpe baixo


Ela disse para ele: Isso! Use bastante aspas que é para eu cansar logo de você.

Look at me

Ele colou um adesivo na testa com cores fosforescentes: olhe para mim. Ela nem percebeu. Estava de óculos escuros e apenas mirava o espelho que ficava atrás dele. Trivial. Ele queria a atenção dela; ela queria a atenção de todos. E assim passaram a tarde, ele pedindo para ser visto e ela desejando ser olhada. Nada de significativo disseram, mas o tempo inteiro perguntavam a si mesmos: "será que estou agradando?" No final do dia, se despediram festivamente e ele, orgulhoso, citou Vinícius: "a vida é a arte do encontro", e ela, vaidosa, piscou: "este foi o que o Spinoza definitivamente chamaria de "um bom encontro". E os dois, com um sorriso de canto de boca, caminharam em direções opostas. Em suas mentes, uma única pergunta convergia: "será que agradei?"

Lugar-comum


Agora o ego virou o culpado de todos os males. Por todos os lados, é só o que ouço: o problema é o nosso ego. Por que será que as pessoas sempre procuram um bode-expiatório?

Caminhada


A espera em mim, exausta de tão cansada, impôs: desista.


Sem asas e sem raízes, o meu coração bate e eu escuto: os sonhos ainda serão e o passado se foi. Mas o que importa mesmo é que agora nós estamos aqui.


Itamonte, abril 2011.

Perguntei ao meu turbilhão: integração, finalmente? E ele respondeu: entregação, primeiro.

Thursday, June 16, 2011

Apolo


Em sonho, ele me disse: "algumas pessoas andam tão desatentas, que, muitas vezes, na harpa soam as sete notas e elas nem escutam". 


Palavras dispensáveis preenchendo vazios desnecessários.

Tuesday, June 14, 2011

Radiação Cósmica


Eu virei objeto do universo. Repito: do universo.