Saturday, March 12, 2011

Aqui e agora

Eu cansei de viver assim, de pouquinho em pouquinho, de vez em quando ou volta e meia. Planejando qual a melhor maneira de existir e selecionando momentos, experiências, pessoas, lugares. Evitando, escolhendo, desviando. Eu quero viver por inteiro a exuberante e devastadora realidade que está na minha frente neste exato momento.

Eu quero só e somente só o real

Ninguém mais minta para mim. Por motivo nenhum. Por vingança alguma. Nem por proteção e nem por desvalimento. Eu quero a verdade. A insuportável e purulenta verdade.

EuVocê


Se, internamente, raras vezes conseguimos fazer a integração anima-animus, por que cremos que, externamente, será diferente?  Eu clamo, harmonia! Eu rogo, unidade! Eu acredito, cooperação. Eu sei que existe este lugar. Eu sei.

Friday, March 11, 2011

Sinuca de bico


Meu Deus, jogue-me nos poços e nos becos de mim, pois só assim conhecerei quem eu sou por inteira. E se medo eu tiver (e terei), por favor, ignore-me! Empurre-me assim mesmo!

Foi o Gugu Keller que disse...


"Fuckability - Vivemos num mundo em que, amiúde o observo, cada vez mais as pessoas são avaliadas e consideradas apenas por seu grau de fodabilidade. Sim, fodabilidade!"

O blog dele é duca! Passa lá!

Thursday, March 10, 2011

Transformação

Tem gente que atira pérolas no lixo. Tem gente que resgata. Tem gente que joga lixo no lixo. Tem gente que recicla. Tem gente que, sem sorte, vai parar no lixo. Tem gente que joga o outro no lixo. Tem gente que se deixa ser jogado no lixo. Tem gente que mergulha no lixo. Tem gente que se vira do lixo. Tem gente que vira lixo. Tem gente que purga o lixo. Seu próprio lixo. Tem gente que ao lixo se apega. Tem gente que do lixo se liberta. Tem tanta gente. E tanto lixo. E tanta beleza, que também pode vir do lixo. De vários tipos de lixo. Mas só de um tipo de Gente: aquela que acredita no poder da transformação.


Lixo Extraordinário e Estamira.
Lixo Humano, no blog do Gugu Keller

Tuesday, March 08, 2011

Re-sentir


Ele tinha um ressentimento antigo, quase tão velho quanto a sua própria idade. Ou quem sabe até, anterior à sua própria existência. Os anos se passavam, a vida passava, só não passava o ressentimento que, insistente, insistia. Em novas pessoas, em novos lugares, em novos momentos, o ressentimento ressentia. E tudo que prometia ser novo, no velho caia. Nele e no seu ressentimento, que era tão ancestral quanto a mágoa que ele tinha.

Sagrado e profano o baiano é...

Monday, March 07, 2011

Zorro

Ela respondeu categoricamente para ele: "eu sei que você adora dramalhões mexicanos, mas vou logo lhe avisando: não me acompanhe que eu não sou novela."

Sunday, March 06, 2011

Eu vou, atrás do trio elétrico eu vou!


"Carnaval na Bahia, 
oitava maravilha, nunca irei te deixar, meu amor.
Eu vou, atrás do trio elétrico vou, 
dançar ao negro toque do agogô
Curtindo a minha baianidade nagô
Eu queria que essa fantasia fosse eterna
Quem sabe um dia a paz vence a guerra
E viver será só festejar"

Evandro Rodriguez

Provocando Sócrates

Querido Sócrates,

Andei refletindo sobre a sua célebre frase: “só sei que nada sei” e, lamento, vou ter que discordar de você. Porque ultimamente eu ando convencida de que eu já sei muita coisa. Explico: mesmo o mundo sendo tão impermanente, e eu sendo tão caótica, eu descobri que tudo se transforma para que algumas coisas continuem iguais. Exemplo: o amor é a força que move o universo e que me move. Hoje eu sei disso. E você pode questionar, interpelar, me mostrar outros ângulos. Será em vão. Mas claro que você pode argumentar. Aliás,  o cérebro é um argumento. Ou melhor, vários. Outra coisa que agora eu também já sei: a razão vai invariavelmente buscar concordar ou discordar, como estou fazendo com você neste instante. E para cada pessoa que apóia um raciocínio, sempre haverá outra a questioná-lo ou rechaçá-lo. Mas, voltando ao amor, Sócrates, o que eu também já sei, é que ele não só é como a Verdade, como ele é a própria Verdade em si. E, por favor, não me peça para eu lhe explicar porquê. Eu não conseguiria. É informulável. O convite que eu lhe faço, meu querido Sócrates, é que você pare de pensar e sinta.

Bem, era isso. Ah, só mais uma coisinha: não importa que alegação você use para me demover desta minha apropriação. Eu já sei que eu sei de muita coisa e ninguém vai conseguir me convencer, ou melhor, convencer o meu coração, do contrário. Nem você. Ou muito menos você e a sua lógica. 

Beijos fraternos,

Patrícia

Carne-vale

Vestir a fantasia é uma cerimônia de metamorfose porque nela eu me permito ser outra. Colocar não a máscara de defesa, mas sim a máscara da imaginação. Celebrar a vida enquanto ela me pertence. Obrigada, mestre Viktor de Salis!

"Caso vá falar mal de mim, me chama que sei um monte de coisas horríveis a meu respeito!"


Esta semana li um texto que me fez refletir bastante. Nele, o autor dizia que não devemos contar às pessoas nossos medos íntimos e erros do passado uma vez que “tudo o que você disser poderá ser usado contra você”. Parei para pensar e, por uns bons momentos, me identifiquei bastante. Quantas vezes, em diversas relações,  tanto profissional quanto pessoal, na mais pura ingenuidade, contei segredos meus e, sem esperar, vi tudo se voltar contra mim? Inúmeras. 

Entretanto, refletindo um pouco mais e observando a minha trajetória nos últimos dois anos, me dei conta de que, a cada dia que passa, tenho menos segredos a serem escondidos ou que, eventualmente, podem se voltar contra mim. Cada vez mais, torno “aquilo-que-não-pode-ser-revelado” público. Como uma forma de catarse ou simplesmente por estar cansada de subterfúgios e de ter que agradar ao outro, comecei a expor publicamente as minhas falhas, angústias, medos, fracassos. 

Eu nem sei explicar direito como aconteceu, mas algo internamente me moveu a querer “jogar merda no ventilador”. O “sistema de controle” que eu própria havia criado para querer ser e parecer perfeita estava me vergando de tal forma, que eu vivia completamente exausta. Precisava me livrar da minha sufocante armadura e a maneira que eu encontrei foi a de olhar cara a cara a minha sombra e vomitar as minhas maluquices internas para o mundo. Certo ou errado? Não sei. Está sendo como está sendo. Peguei um desvio, peguei um atalho? Também não sei. Só sei que a cada máscara de defesa minha que cai, me sinto mais leve. Para mim é libertador simplesmente assumir que eu sou o que posso ser, que a minha vontade de metamorfose é genuína, mas que continuo "ridícula, limitada e que só uso 10% de minha cabeça animal". 

E nesta caminhada descobri o óbvio: que as pessoas que me amam, me aceitam exatamente do jeito que sou. E as que quiserem usar os meus erros contra mim, sei lá, que usem. Provavelmente farei coro com elas e assumirei que não estou acima do bem e do mal. E se elas acham que estão acima do mal, bravo para elas. Que carreguem o peso de suas próprias armaduras.


“Algumas coisas morrem com a luz. Se você puxar para fora da terra as raízes de uma árvore, elas morrerão. Elas necessitam da escuridão, elas vivem na escuridão, na escuridão está a vida delas. Assim como as raízes, o sofrimento também vive na escuridão. Exponha os seus sofrimentos e você descobrirá, eles morreram. Se você continuar escondendo-os dentro de si, eles irão permanecer seus companheiros constantes por muitas vidas. A infelicidade tem que ser expressada.” Osho

Obs: achei tão incrível o título do texto que li que resolvi usá-lo aqui descaradamente ;)

Saturday, March 05, 2011

A minha raiva tem motivo

Ela disse claramente para ele: “não, eu não vou me encaixar nas suas expectativas. E mesmo que todos achem que eu virei uma fracassada sem rumo, de uma coisa eu sei: eu não vou deixar que ninguém me controle, me jogando na cara o que é certo ou errado. Certo e errado para quem, carapálida? Eu ainda estou tentando entender que talentos tenho, mas com certeza um dos talentos que eu não possuo é o de ser subjugada. Pode, pode continuar dizendo por aí que eu pirei, que me perdi, fiquei louca, virei uma fundamentalista. Que ando cheia de raiva e revolta. Finalmente, eu penso. Este é o meu triunfo sobre essa sociedade castrada, que só fala a verdade pelas costas. Já disse pra você: eu sai da jaula e nenhum discurso, censura, reação ou vontade do outro vai me colocar lá de novo. E se você quer saber, tenho. Tenho sim raiva de você. De você e de qualquer pessoa que queira me domar. Os meus erros não são belos, mas são verdadeiramente meus. Deixe-os em paz."

***
Uma raiva peculiar: "As maravilhosas qualidades como coragem, determinação e força de vontade são extensões positivas da  raiva, como também a habilidade de curar." Atwater, Além das Crianças Índigo

Vale do Capão, jan 2011.

"Estou convencido, como uma criança, de que o sofrimento desaparecerá, que a comédia revoltante das contradições humanas se esvanecerá como uma lamentável miragem, como a manifestação vil da impotência mesquinha, como um átomo do espírito de Euclides; que no fim do drama, quando aparecer a harmonia eterna, uma revelação se produzirá, preciosa a ponto de enternecer todos os corações, de acalmar todas as indignações, de resgatar todos os crimes e o sangue vertido; de sorte que se poderá não só perdoar, mas justificar tudo quanto se passou sobre a terra." Dostoievski

Friday, March 04, 2011

Gol de Placa

Já sem paciência com ela, ele anunciou: “chega de papinho arrastado pra cima de mim. Quem fica correndo no gramado de um lado para o outro e perdendo tempo é time da terceira divisão. Comigo o campeonato é outro. O meu jogo é bola na rede."



Thursday, March 03, 2011

The best things in life are free


Dona Macaca chegou para o Sr. Sapiens e disse: “agora, o que nos separa é uma jaula. Quando você sair daí, me avise. Estou aqui fora, deitando e rolando. Quaquaraquaquá!”


Combatendo a praga do politicamente correto



Este é para o meu querido Márcio Almeida :)

Se você for a Bahia, leve o seu coração. O essencial continua invisível aos olhos.

Wednesday, March 02, 2011

Fatos da vida cotidiana

No Google, a palavra amor é mais pesquisada do que a palavra medo. Entretanto, o termo mais buscado é sexo.


Se eu pudesse, eu lhe daria a paz dos deuses, mas esta pertence apenas àqueles que abriram o coração ao seu próprio inferno e, sem combate, aceitaram olhar seus demônios olho no olho.

Tuesday, March 01, 2011

Ela é a única realmente livre

"Uma das metáforas mais poderosas sobre a condição humana e sua relação com a liberdade é a do camelo, do leão e da criança. Ela foi empregada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche no século 19 e até hoje é utilizada para demonstrar as diferentes metamorfoses da consciência e nossa possibilidade de sermos livres. Diz ele que o homem, ao nascer, é como o camelo. É obrigado a comer, assimilar e armazenar, por um bom tempo, grande parte dos dados, histórias e ensinamentos acumulados pela humanidade ao longo de séculos. Essas informações chegam a ele por meio das orientações dos pais, professores e mestres, da convivência com seus iguais ou também por toda a produção cultural existente na sociedade: livros, filmes, arte, teatro, arquitetura, todo tipo de mídia... Ele vai ruminar, ruminar e ruminar essa quantidade enorme de dados até construir seu sistema de valores e crenças que, na maioria das vezes, já está alinhado com valores e crenças organizadas e pré-existentes sejam elas religiões, sejam elas sistemas políticos, filosofias ou doutrinas.

A maior parte da humanidade, diz Nietzsche, vive no estado de camelo. Só assimilando, aceitando, deglutindo. Ou, pior, se estapeando por causa do conteúdo engolido, isto é, por causa de suas crenças, ideologias ou religiões. Os homens-camelos não têm potencial crítico para se afastar da própria crença, analisá-la de forma isenta e descobrir seus pontos falhos ou ângulos distorcidos. Principalmente porque ela está baseada na emoção, não na razão. Por isso, para eles, de alguma forma parece impensável e sacrílego fazer essa avaliação.

Uns poucos entre os camelos chegam ao estado de leão. Normalmente, os grandes felinos se insurgem contra isso tudo que está aí, como se dizia na década de 70. Pode ser por meio da arte, como Picasso, que subverteu os cânones dos critérios artísticos aceitos até sua época (não sem antes dominá-los muito bem, por sinal). Pode ser por meio do cinema, como Ingmar Bergman, que trouxe a conflituosa realidade psicológica do ser humano para seus filmes inovadores. Ou pode ser por meio da religião. Francisco de Assis, por exemplo, foi um extraordinário leão de seu tempo.

Leões são geralmente líderes e, por isso, têm enorme influência junto aos camelos. Por isso mesmo, muitas vezes são feitos em pedacinhos por eles ou, então, por outros leões na defesa de seu território. O problema do leão é que, na maioria dos casos, ele ainda está preso ao que ele é contra. Pode dedicar sua vida e até morrer por seu ideal. Como diz o mestre espiritual Osho, que comentou a teoria de Nietzsche no livro 'Liberdade, a Coragem de Ser Você Mesmo', a grande maioria da humanidade está empacada no estado do camelo; a minoria está empacada no estágio do leão. A maioria significa as massas; a minoria, a 'intelligentsia' (pintores, músicos, cineastas, intelectuais, escritores, uma boa parte dos pensadores...). O leão, continua Osho, evolui das massas e se faz por si mesmo. Ele é basicamente mental e egóico. Já para se formar a criança é preciso uma formidável revolução interior. A criança é a pessoa que passou por uma transformação interna absolutamente radical. Ela tornou-se um outro ser, renasceu. É pós-mental e pós-egóica. O camelo vive no passado, o leão no futuro e a criança no aqui-e-agora."

Viva a nossa criança interior. Ela é a única realmente livre.

Sunday, February 27, 2011

Reconciliação

Fiquei pensando que talvez a única reconciliação possível e necessária seja entre a nossa luz e a nossa sombra. Receber a nossa profunda e temida escuridão de braços abertos. Por que relutamos tanto em aceitar a dimensão sombria da nossa alma? Em nos render ao que consideramos a nossa imperfeição? Enquanto nos acovardamos, a nossa totalidade espera, pacientemente, a conciliação dos opostos.

Espiritualidade

Em sonho, ela me disse: "chegou a hora de você atender ao chamado que vem de dentro e do alto. É o momento de você olhar para as pessoas que estão ao seu lado e compreender o propósito espiritual destes relacionamentos." Tocada, acordei.

Saturday, February 26, 2011

Não nos afastemos, vamos de mãos dadas!

Sim, eu acredito demais que a energia feminina precisa ser resgatada, tanto quanto a energia masculina. Ao longo dos anos, ambas foram deturpadas e mutiladas (quase que aniquiladas) em suas essências. O que sobrou? O inanimado, a falsificação, o superficial, a castração: armaduras, sistemas, lógicas, regras, rótulos, formatos. Precisamos libertar e fortalecer tanto o feminino quanto o masculino para finalmente sairmos da Matrix, da caverna, da jaula. Somente através da união yinyang é que podemos gerar vida e amor.  A cada dia que passa, eu levanto mais e mais a bandeira do feminino, porém imploro: não desvalorizem o masculino! 

Herói de sua própria vida. Imperdível!!!



O artista Eduardo Marinho possui o que anda completamente em falta nos dias de hoje: coragem! Coragem de SER e AGIR. Coragem para falar e fazer. Para fazer do seu discurso o seu percurso. Para ser uma brecha neste sistema falacioso. De ser sano no meio de tanta loucura. A minha reverência a este herói de sua própria vida.

É nestas horas que percebo a minha covardia, ao mesmo tempo que ganho mais um impulso interior para tomar a minha vida nas minhas próprias mãos e ser Senhora de mim mesma e da minha alma. Valeu, Eduardo!

Sobre o vídeo: Eduardo fala sobre sua opção de vida e discute sobre como vivemos complacentes com toda a mentira que existe na sociedade.


Veja o blog do Eduardo aqui.

Friday, February 25, 2011

O verdadeiro combate: reconhecer a sombra e integrá-la.



Quanto mais nos tornamos conscientes sobre a sombra, menos ela pode nos dominar.*** A sombra nunca será eliminada porque ela é parte da nossa natureza. ***Ao contrário do que muitos pensam, a sombra não é apenas uma força negativa na Psique. Ela é um depósito de energia instintiva, espontaneidade e vitalidade, e é a fonte principal de nossa criatividade.

*** 
“Qualquer indivíduo é acompanhado por uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada na sua vida consciente, mais espessa e escura se torna.” Jung

Thursday, February 24, 2011

Incondicional

Sabe o que eu realmente queria? Que um dia você olhasse bem fundo nos meus olhos e dissesse tudo aquilo que você detesta em mim. Sem julgamentos, eu iria lhe ouvir e talvez até espernear, mas depois lhe diria que podemos sim falar a verdade para as pessoas. Confesso que, por causa das suas críticas, eu não mudaria o meu jeito. Nem tentaria. Apenas seguiria lhe amando, provavelmente ainda mais. 

Espelho meu IV

Você tem razão:  ainda me falta coragem para me olhar cara a cara e é por isso que olho você, no que nem você vê.

Espelho meu III

Covardes e orgulhosos, seguimos até que a morte do ego nos separe. Melhor que ela venha logo, não acha?

Espelho meu II

A sombra que nos separa também nos une. Triste zona de conforto esta. Ah, como eu queria ser completamente surpreendida pelo desapego dos lugares usuais e, sem nenhum medo ou expectativa, me lançar na desconhecida potência do sol que brilha e me espera. Nos espera.

Wednesday, February 23, 2011

Espelho meu


Existe atraso de vida maior do que ser escravo de si mesmo? Ser seu próprio capataz, carrasco, general? Ter o seu tirano alojado dia e noite, dia-após-dia, dentro de si? Sentir-se, a cada instante, julgado, oprimido, cobrado, punido, incompreendido? Por isso, quando você me pergunta o que lhe impede de ser livre,  a resposta é mais que óbvia: todos esses que você mesmo deixou que fizessem morada na sua mente e aprisionassem a sua alma. Agora eu queria saber: quanto tempo mais você vai precisar para libertar a sua voz verdadeira e finalmente dizer à sua sombra quem manda em quem? Me diz: quanto sofrimento mais até você ter coragem para tirar o seu coração da jaula? 



O pensamento também é uma ilusão. Um enorme argumento.

Eu digo: derrota, venha! Eu digo: morte, eu me entrego a você! Por favor, libertem-me do meu ego ainda nesta vida!

“Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis”

Maiakovski

Tuesday, February 22, 2011

Nove Anos para um Verso

Já há bastante tempo, venho ensaiando escrever sobre o direito legítimo que temos à preguiça.  Neste texto, que ainda está em meus devaneios, quero, obviamente, citar o Dorival Caymmi, um homem que compôs pouco mais de 100 músicas e que nos mostrou que a genialidade não pode ser rotulada em frases como a do Thomas Edison: “O gênio é um por cento inspiração e noventa e nove por cento suor”.

Bem, acordo eu hoje na minha preguiça matutina, quando leio um texto do Arthur Nestrovski que o meu querido Márcio Almeida postou em seu FB. Ilustrou meu pensamento. Transcrevo abaixo.

É isso aí, Caymmi. Nove anos para escrever um verso. Isso é que é produtividade! E que a nossa alma sempre fale mais alto e subverta toda e qualquer regra sobre o que a sociedade capitalista-cristã considera “produtivo”. E viva a malemolência! 


“Quando o Dorival Caymmi era criança, ele tinha um amigo pescador, chamado Aurelino. Morava na praia de Itapuã, na Bahia. O pai de Aurelino era o João Carapeba, de quem o Caymmi gostava. Um sujeito fortão, brigão, que dizia muito palavrão; mas também caloroso e carinhoso, conforme o momento. Quase todo mundo é um pouco assim: de um jeito numa hora, de outro noutra. Só que o Carapeba era muito assim.

Anos mais tarde, o Caymmi resolveu fazer uma música sobre ele. João Carapeba, então, virou "João Valentão". E a música tem duas partes bem diferentes: a primeira rápida e animada, a segunda suave e dengosa.

Caymmi, que sempre teve fama de preguiçoso, quando foi fazer essa música exagerou. Começou a compor em 1936, num verão em Itapuã. A melodia saiu rápido. A letra, quase toda de uma vez. Até que ele chegou nuns versos que falam em "deitar na areia da praia". Deitar na praia é gostoso - e o Caymmi parou por aí.

Só sete anos depois, andando de bonde no Rio de Janeiro, ele achou os dois versos que faltavam: "E assim adormece este homem, que nunca precisa dormir para sonhar / Porque não há sonho mais lindo do que sua terra, não há". Como se não bastasse, veio um amigo depois sugerindo trocar "terra" por "vida". Ao todo foram mais dois anos, até o Caymmi se decidir.

Esse tempo, afinal, não importa. Porque o tempo, para Caymmi, não se usa para procurar nada; o tempo é para achar. E quando o Caymmi acha, a música não fica só pronta: fica perfeita, para sempre.”

Arthur Nestrovski - Folha de São Paulo, 30 de Outubro de 2004

Sunday, February 20, 2011


Cadê coragem para jogar fora todas as muletas e me apoiar apenas no meu ser?

O desgaste das ilusões

Serenamente ele me disse: “sabe que o real é muito mais sedutor? Ultimamente acho essas ilusões todas tão infantis que até me brocham.”

Dom de iludir

Praticar o afeto incondicional, me aceitando e aceitando o outro como realmente somos.  Justo. Juro que estou tentando, mas esta mania de fantasiar continua me perseguindo. Nas minhas utopias contraditórias, adoro acreditar que é possível viver o real, sem abrir mão das doces ilusões cor-de-rosa. Como é difícil mudar um condicionamento!  Como é trabalhoso livrar-se do vício de (me) iludir.

P.S: Platão, ainda não desita de mim, por favor! Tive uma recaída, mas o remédio é forte :)



"Você diz a verdade e a verdade é o seu dom de iludir. Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir..."

Saturday, February 19, 2011

Eu daria o Oscar para ele!




Para mim, este Cisne Negro é muito mais autêntico e emocionante do que o filme cheio de purpurina e flashes produzido por Hollywood. John Lennon da Silva, artista de street dance da periferia de São Paulo, numa grande manifestação de genialidade. E que a arte continue nos libertando! 



Eu quero a liberdade que vem da consciência e não da inconseqüência.

Friday, February 18, 2011

Arrasou!



Perguntinha básica: inveja mata?

Tuesday, February 15, 2011


Eu me apaixonei pela vida e ela anda me correspondendo muito!

Sabedoria infantil


Tenho saudades da época em que eu ouvia Chapeuzinho Vermelho centenas de vezes na minha vitrolinha de plástico, sem me cansar e sem me preocupar em consumir a próxima "novidade" da indústria cultural. Numa só história eu me recriava e não havia a necessidade de Facebook para compartilhar a minha "experiência". Hoje preciso sempre de mais e mais histórias. Mais e mais distrações. Como camelo, sigo armazenando. Vontade agora de apenas escutar Disquinho e de me reinventar criança.


Monday, February 14, 2011


O amor é a total perda da ilusão. E o amor próprio é a perda de toda e qualquer ilusão sobre si mesmo. Quando a ilusão cai, o real emerge. Este real é o amor. 


A teoria não existe. Ela é mera ficção. 

Liberdade

Até bem pouco tempo atrás "liberdade" era uma palavra abstrata para mim. Agora, a cada dia que passa, liberdade está se tornando algo muito concreto na minha vida.  E não falo da liberdade de ir e vir ou de poder fazer qualquer coisa, a qualquer hora, em qualquer lugar. Falo da liberdade de estar presente e conectada em mim. De não ser um fantoche. De sentir. De ser. 

Saturday, February 12, 2011

Amor=Verdade=Presença=Luz=Liberdade



Tirar a máscara e a fantasia para poder se conectar ao lugar que é aqui e ao momento que é agora. 


Friday, February 11, 2011

Tá chegando!!!



"O meu canto é força
O meu canto é magia
E quem em Deus confia
Só Deus pode derrubar
Selei, selei
Meu cavalo selei"

Thursday, February 10, 2011

Um bilhete para Platão

Platão, meu querido,
Preciso lhe dizer algo: você tinha toda razão. Descobri que a caverna é mesmo um mito. Um engodo coletivo. Um labirinto de inconsciência. Pois bem, quero lhe contar: eu me empapucei deste lugar falacioso e das sombras lá projetadas.  Fiz exatamente como você, há tempos atrás, me recomendou. Lentamente avancei na escuridão e bravamente escalei o muro. Vislumbre mágico esse da luz. Que ignorante eu de me contentar com uma mera fogueira quando o sol, há muito, me esperava. Que bom perder a ilusão! E olha só, pode ficar tranquilo porque, não importa o que aconteça, não pretendo voltar. Quem da consciência se alimenta, já se sente livre.
Com afeto eu lhe agradeço,
Patrícia

Tuesday, February 08, 2011

Parafraseando

Quem sabe eu ainda sou uma malandrinha...

Aprendendo muito com o Mestre Viktor de Salis

"Nenhuma mentira resiste ao tempo. Muito menos a mentira sobre si mesmo."

"Uma vitória emburrece. Uma derrota nos torna merecedores dos deuses."

“Não tire ninguém da caverna antes da hora. Ele pode não estar acostumado à luz.” 

"Você conhece atraso de vida maior do que a mágoa, o ressentimento, o ódio?"

"Toda construção verdadeira de Eros demora tempo."

Viktor de Salis

O mesmo que você...


Ele escreveu para ela: “vai, me responde, me fala, o que mais você lembra de nós?” Surpreendida, ela respirou fundo, espantou seus embaraços e sinceramente se expôs. Respondeu o que lembrava e tinha sentido, sem artifícios, sem truques, sem jogo. Ela não sabia ao certo, mas a sua intuição suavemente soprava que ele era diferente de todos os outros e que seria uma covardia continuar escondida em qualquer tipo de subterfúgio. Pela primeira vez, ela percebeu que a sua timidez estava deslocada e que a verdade verdadeira era a única coisa que poderia ser dita. Naturalmente.


Monday, February 07, 2011

-3, -2, -1, 0... enfim, o começo.


Eu disse: chega! Basta de hipocrisia, de máscaras, de cegueira. O meu coração tem urgência de verdade. A minha alma tem pressa de vida. Visceralmente sigo na direção do bom, belo e justo.  Eu me aproximo do marco zero. Antes disso, foi tudo reparação. 

TIMELESS



Timeless, Espaço Unibanco.
E naquela noite ela dormiu e sonhou. Imaginou que a sua alma vinha na sua direção: calma, cálida, fértil.  Sim, a sua psiqué era real e a olhava nos olhos. Cúmplices, íris de cores díspares se encontravam e braços quentes se entrelaçavam. Ambas derretiam em uma só pessoa pastosa: uma lava de vulcão fluida que respirava oxigênio no exato ponto de ebulição.

Saturday, February 05, 2011

Sombra, você pode até me abraçar. Mas o meu beijo pertence à luz.

Eu quero um amor que legitime o nosso direito de estar aqui: na mais pura presença do ser. Na afirmação da vida.

A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS

Salvador, jan 2011.


"Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade." Joseph Beuys


Friday, February 04, 2011

Gabriela Cravo e Canela


A gente complica tanto para chegar no óbvio: o simples.

Thursday, February 03, 2011


As máscaras pesam sobre nós, que as carregamos. Não sobre quem nos vê.

"Por mi’alma insubjugável agradeço"


Freqüentemente eu me considerei uma vítima absoluta dos mais diversos sistemas: do capitalismo opressor, do ensino tradicional e controlador, do cruel mundo corporativo, das relações manipulativas. Os outros não me deixavam ser livre.  Sempre os outros. Ontem, revisando a minha trajetória, fiquei com vergonha de mim mesma. Como pude  transferir tanto poder para terceiros? A minha liberdade depende de mim. Aí lembrei do documentário que vi sobre o Nelson Mandela e do poema "Invictus" que manteve acesa em Mandiba a esperança, a coragem e a determinação ao longo dos 27 anos em que esteve aprisionado nas celas em Robben Island. Demorou, mas eu me dei conta. Não importa quão esmagadora seja a vontade de opressão e castração do outro. A alma é minha. E só quem pode aprisioná-la ou libertá-la sou eu. Essa escolha ninguém tira de mim. E nem de você. Alma minha, seja, pois, insubjugável.

"Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma."
William Ernst Henley (1849-1903)

“Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte”

A minha covardia anda me impedindo de viver. Eu achava que era medo, mas, no final das contas, é isso: eu morro por antecipação. Obrigada, Shakespeare. Quando um beijo não nos desperta, realmente precisamos de um tapa na cara. 

Sobre a minha mais profunda obsessão


“Em você fincou raízes a criatividade, mas foram tão fundas que durante o período de existência encontram uma forte resistência para atingir o caminho da luz, e manifestar em obras concretas todos os talentos que, subjetivamente, sua alma reconhece possuir.”

Tuesday, February 01, 2011

Eu quero sentir o cheiro das pessoas que, como eu, desejam. Não daquelas que desejam a posse do carro, das medalhas, do outro. Mas daquelas que, totalmente sem pudores, desejam a vida. 


Sentindo a deliciosa liberdade de ser eu mesma de corpo e alma.

Monday, January 31, 2011

"Tenho uma música para você!"



Meu querido mestre Otávio, você acertou em cheio na música. Adorei! Uma sensível leitura da minha alma. Agora, é abraçar este Galope Rasante e sair cantando. Obrigada pelo carinho  :)

Ah, esses baianos...

Friday, January 28, 2011

Teimosia


Ando pensando em escapar pela tangente. Mesmo sabendo, de antemão, que a vida vai me cobrar coragem lá na frente. Diacho, será que vale a pena eu fugir, de novo? Quanta repetição, meu Deus! Já tava na hora de eu ter cansado da minha covardia. O que será que me impede de abrir o peito e fazer o novo? De simplesmente ficar e, de uma vez por todas, me encarar?


Serpentes de Fogo

Os nossos venenos se anulam mutuamente. E agora? Quem vai ter a manha de se escancarar para o outro sem nenhum artifício de defesa? 

Conversando com Albert Camus


O meu querido amigo Jaderson postou no FB a seguinte frase do Camus: “O Homem é a única criatura que se recusa a ser o que é”. Gostei tanto que fui procurá-la na internet. Foi quando me deparei com esta entrevista do Camus. Genial! Alguns trechos abaixo. Íntegra aqui.

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VRB – Qual a importância do amor em nossa vida? Há pessoas que parecem não possuir esse sentimento.
Albert Camus – O homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio. Não ser amado é falta de sorte, mas não amar é a própria infelicidade.

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VRB – A felicidade terrena é vergonhosa para alguns místicos. Por isso, procuram voluntariamente o sofrimento para merecer a felicidade celestial.
Albert Camus – Não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho.

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VRB – Por falar, em religião, o Juízo Final não passa, para mim, de terrorismo teológico. Apesar de sempre adiado, ainda assusta os religiosos.
Albert Camus – Vou-lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele realiza-se todos os dias.

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VRB – Descartes disse: “Penso, logo existo”. E você?
Albert Camus – Revolto-me, logo existo.

Thursday, January 27, 2011

Medéia

Em sonho, ele disse no ouvido dela: "você é Medéia, feiticeira e semi-deusa". Assustada, ela acordou.

Wednesday, January 26, 2011

O Xirê dos Orixás

Iansã, João Makray


"Inspirado na cosmogonia do Templo Guaracy, João Makray mergulhou no universo dos Orixás para revelar, com sua arte, algumas de suas manifestações na natureza. Muito além de ancestrais divinizados ou deuses míticos personificados com roupagens de colonizadores, os Orixás de João Makray trazem a dinâmica da vida, da natureza sagrada (...) Os Orixás do Ar – Iansã, Tempo, Ifá e Oxalá – vão perdendo sua representação física. Depois de Iansã, só podem ser percebidos com a mente e o espírito."

Acabei de receber essa dica do meu amigo Claus e fiquei encantada com o trabalho do João Makray. Segundo o Claus, o artista ficou semanas viajando por cachoeiras, rios e matas para criar os desenhos fractais. Para ver todas as gravuras, acesse aqui.

Meditação Kundalini

"Solte-se e deixe seu corpo todo chacoalhar, sentindo a energia vindo de seus pés. Movimente-se e torne-se o chacoalhar. Seus olhos podem ficar abertos ou fechados.
Permita o chacoalhar, não fique de pé em silêncio, sinta a energia chegando e quando seu corpo começar a tremer, coopere, mas não seja o fazedor. Desfrute disso, alegre-se com isso, permita, receba, dê boas vindas, mas não deseje isso.
Se você forçar, isso se torna um exercício, um exercício físico, corporal. Então o chacoalhar estará lá, mas apenas na superfície; ele não penetrará em você. Você irá permanecer sólido como uma rocha por dentro. Você irá permanecer o manipulador, o fazedor e o corpo estará apenas seguindo. O corpo não é o problema, você é o problema.
Quando digo sacuda, estou falando de sua solidez, seu ser endurecido deve sacudir até as fundações para que se torne líquido, fluido, derretido. E quando seu ser endurecido se tornar líquido, seu corpo seguirá. Assim não há nenhum tremer, apenas tremor. Portanto ninguém está fazendo isso, está simplesmente acontecendo." Osho

Big Bang


Meteoros e estrelas fervilham no meu espírito. Explode alma, por favor, explode!


Tuesday, January 25, 2011

Você e eu somos um caso sério


A sua mentira é um caso de polícia e a minha ilusão um caso perdido. O que vai dar no mesmo: uma defesa cotidiana que interdita qualquer possibilidade de vida real. Uma auto-sabotagem que impede qualquer sentimento verdadeiro.


Monday, January 24, 2011

Sua intensidade, a minha
Meu desejo, o seu
A minha sede à sua boca
finalmente se rendeu


no silêncio, a essência exposta
no desejo da alma, a resposta

Dramaturgia do Desejo

Na semana passada, participei de um curso bastante intenso, inquietante e transformador com a atriz e diretora Silvana Abreu. Dramaturgia do Desejo,  método desenvolvido por ela, trabalha o processo criativo autoral a partir da potência de cada pessoa, suscitando a autenticidade e a auto-expressão do ator. Como ainda estou "work-in-progess" após cinco dias de muita revelação emocional, a única coisa que consigo dizer agora é:  ¡No estoy Curada! Por isso, vou aproveitar o post que o talentoso ator Dani Ciasca escreveu para divulgar essa experiência singular. Leia aqui. E sobre a metodologia aqui.

Saturday, January 22, 2011


O desejo habita a alma.

Você


Você sempre me cutucando. Ou pedindo para ser desafiado. Pensei que esse jeito fosse o meu, mas você me surpreende, fazendo deste jogo o seu. Vamos seguindo, enquanto a gente está se divertindo. O resultado? Pra que pensar? Tanta coisa para provocar...

Friday, January 21, 2011

Ribanceira


Igreja do Bonfim, jan 2011.


Homem, se a morte vier, morra. Mas enquanto houver vida, jogue-se! Nos abismos, nos barrancos, nas corredeiras. Sem economias, sem cinto de segurança e sem controle. Que a providência divina lhe proteja e o seu poderoso instinto lhe guie. Sempre haverá um fluxo. O seu fluxo. 


¡No estoy curada!


Pensamento aturdido. Alma em chamas. Emoções esgarçadas. Será que tem cura?


Monday, January 17, 2011


Até podia ser você, mas não é. Não é você e nem ninguém. E nem nada específico. Tudo se resume às minhas utopias ridículas, às minhas fantasias de busca, à minha obstinada teimosia de querer chegar em algum lugar. Alcançar um pouso qualquer que faça o meu coração vibrar suavemente e dizer: chegamos. É aqui. 


Ela mandou um e-mail para ele com o assunto "urgente". No corpo do texto, escreveu: "bem que eu queria ter o direito de lhe culpar pela minha desventura. Porém, a essa altura do campeonato, sei que sofro porque a minha implacável sombra opera na insegurança e na prepotência. Uma dupla que incansavelmente se reveza e se retroalimenta. Sem mais, deixo-lhe um beijo." 


Sunday, January 16, 2011

Às lagartas, o amanhecer!

Porto da Barra, jan 2011.


Deixe-me amanhecer inteira e, então, você poderá vir. Prometo! A espera, agora, dura só mais um tantinho. A criança e o guerreiro apareceram durante o pôr-do-sol e avisaram: mais um pouco. Daqui a pouco! Por isso, por quântico, por nós, eu lhe peço: ainda não desista. Não desista de mim.


Tuesday, January 11, 2011

11.1.11 TRANSMUTAÇÃO

Vale do Capão, 1.1.11

Em 2011, eu prometo:

1. Focar. Eu repito: FOCAR!
2. Respirar bem fundo e devagar.
3. Não mentir para mim mesma.

Monday, January 10, 2011

Vale do Capão, jan 2011.


Eu queria lhe dizer tanta coisa, que passou. Por não saber por onde começar, por imaginar que você não queria escutar, por muito pensar, a minha confissão datou. Engasgou na mente, na minha auto-crítica, nos meus receios estúpidos. Foi incorporada à minha própria caminhada, aos meus trejeitos, à minha labuta. Aquela tumultuada confidência, que eu tinha reservado só para você, cada pedacinho dela foi ficando no meio do caminho, perdida, auto-assimilada, esquecida. Irrecuperavelmente digerida. Eu até queria, mas nem sei direito se conseguiria lhe explicar como isso aconteceu. Antes parecia vital lhe contar. Mas de muito elaborar, outro interlocutor apareceu. Sabe quando a gente, de tanto ficar só, um dia percebe que tem alguém? Acho que foi dessa forma. Eu entendo que agora o seu desejo é o de ouvir, nem que seja um qualquer algo, um qualquer, qualquer coisa. Porém, nem aquele relato remendado, que talvez pudesse lhe importar, existe mais. Minhas palavras ficaram vazias. Ocas do imprescindível. Estão sem ser. Desemocionaram. Distanciaram. E depois de tudo, tudo o que poderia ter sido e não foi, prefiro lhe poupar de um texto corrido. Fora do lugar. Irremediavelmente passado e sem emoção.


Sunday, January 09, 2011


Suicídios cotidianos. 
Renascimentos diários.


Mapa numerológico

Entusiasmado com o curso de numerologia, ele resolveu fazer o mapa dela. Rapidamente, apareceu com a novidade: "ouça e me diga se não é a sua cara! Você pode reagir com extrema agressividade, tentando rispidamente atacar para não se deixar ser aprisionada naquilo que tanto almeja. Usa sua dinâmica energia vital para afrontar tiranicamente aqueles que tentam sabotar seus planos. Atua com autoritarismo, a fim de controlar a tudo e a todos de modo a não deixar espaço para que os outros lhe controlem. Para livrar-se das armadilhas de um egocentrismo ditatorial, você terá de confiar em seus recursos pessoais, trilhando seu próprio caminho, seguindo sua criatividade e assumindo sua originalidade. A coragem e a ousadia demandarão um real comprometimento de sua parte em termos de sentir-se segura para, assim, percorrer um caminho diferente, repleto de constantes renascimentos e reciclagens, internas e externas. Desta forma, irá sentir o prazer e a profunda satisfação da segurança interior". Acenando com a cabeça, ela respondeu: "interessante. Você sabe me dizer se neste lugar onde você fez o curso, eles vendem essa tal desta 'segurança interior'? Se for o caso, compro na hora e aproveito para já abandonar a dona dominatrix por lá".

Tempestade Santa

No meio da tempestade bruta, no raio que atravessa o temporal, Iansã aparece e me surpreende. Seu abraço quente me revigora e a ventania que lhe acompanha varre de mim as almas mortas. Oyá! 


A dinâmica dos vampiros


 Vampiro que suga vampira tem quantos anos de perdão? 
 E vampira que morde vampiro tem alguma absolvição? 



Saturday, January 08, 2011

Mendiga

Deixe-me morrer aqui,
de costas para o mundo.
Quem dorme no meio-fio,
no interno-frio,
adquire o direito
de jamais ser perturbada.


Mefisto


Ela olhou dentro dos olhos de vampiro dele e incisivamente cravou: "se você ousar dar mais um passo na minha direção, eu meto um tiro na sua garganta". E ele recuou, silenciando a sua labia cheia de mentira, gosma e sangue.


Friday, January 07, 2011

Encontro com Maya


Maya. Vale do Capão, Bahia. Jan 2011

No círculo do toré, ela, mulher, estava. Em torno da fogueira, com a cabeça erguida, olhava. O céu, as estrelas, o infinito. Admirava. As cantigas, as danças, os rituais, pacientemente, aguardava. E sem nenhum motivo aparente, apenas assim, de repente, uma criança da roda saltou e com passos determinados a fogueira driblou. Sem pestanejar, correu na direção dela e, para a sua surpresa, docemente a abraçou. Ela, da criança, nada sabia, mas, profundamente tocada, o abraço de erê retribuia. E, ao final deste feliz reconhecimento, ela, mulher, quis saber como a criança se chamava. E Maya foi a resposta que reafirmou o elo que as conectava.

Toré com Jurema no dia 1.1.11

Vale do Capão, Bahia (1/1/11)


Durante o toré, o pajé da tribo kariri-xocó aproximou-se dela, dirigindo-lhe a palavra num tom assertivo: "Vá chamar o seu guerreiro. Juntos, vocês possuem uma missão". Espantada com a mensagem a ela reservada, fechou os olhos, absorvendo o destino com o coração.


Tuesday, December 28, 2010

Monday, December 27, 2010

“Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é obra-prima." Jung


Salvador, dez 2010.


Diacho! Tanta sombra e animus para integrar. Tanta anima para reverenciar. Às vezes, dá uma vontade danada de desistir, sei lá, de abandonar. Mas agora, nem pelejando o bicho me larga mais. Vixe! Haja colo para amparar, amor para continuar, Senhor do Bonfim para me guiar, brisa para suspirar, lua para confortar. Haja este tal deste Self me esperando em algum lugar.